Conheci o trabalho do Silvio através da indicação de um outro artista especial, que já entrevistamos, o Paulo Toledo (obrigada Paulo!!). Além de descrobir a arte incrível do Silvio - uma arte que além de encantar, conscientiza - descobri a pessoa maravilhosa, vencedora, sensível e a favor de um mundo melhor que ele é. Através de nossa conversa, abaixo, você poderá entender melhor o que eu quero dizer… e aproveitar para se inspirar e se conectar consigo mesmo. Correee…

Verde
CVSI: Silvio, sabemos que você é um artista plástico muito criativo, que se dedica à colagem desde 1989, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Silvio?
Silvio: Essencialmente… Sou um cara que ama o que faz! Tenho 43 anos, autodidata. Nasci em São Paulo e há 12 anos resido na estância turística de Joanópolis, a 100 km da capital.
Hoje, com minha inseparável tesoura, recorto milhares de figuras e sigo em frente, tentando construir um novo mundo, um mundo melhor um mundo todo meu: mágico e surreal. Digamos que eu me veja como um Dom Quixote “arteiro”.

A Árvore
CVSI: Como, quando e onde a arte surgiu em sua vida?
Silvio: Trabalhei muitos anos na área de eventos até ser surpreendido por uma depressão. Levei muito tempo para entender o que estava acontecendo comigo, até que a arte surgiu intuitivamente como um caminho, uma razão para reviver.
Até então, jamais havia demonstrado qualquer aptidão para as artes plásticas. Hoje sei que, mesmo sem querer, empreguei a arte-terapia para conseguir extravasar meus sentimentos e poder seguir em frente em minha jornada. A arte foi essencial no meu processo de auto-conhecimento.

O Jovem Arlequim
CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?
Silvio: Hoje percebo que a minha arte pode um pouco mais do que a princípio havia imaginado. Em tempos de aquecimento global, tenho constatado que a arte da colagem pode atuar como importante instrumento de conscientização, muito mais eficaz, por exemplo, do que longos sermões a respeito da devastação do Planeta.
A colagem transmite algo fundamental… que para revertermos esta situação, precisamos, acima de tudo, reciclar, reciclar, reciclar… Reciclar materiais, idéias, sentimentos. Consigo ver, justamente, o meu trabalho atuando positivamente junto à coletividade como instrumento de conscientização.

A Ilha
CVSI: Suas criações são super criativas e deixam um gostinho de quero mais… Como você se inspira para criá-las?
Silvio: Obrigado, que bom que você conseguiu ver tudo isso no meu trabalho. Eu procuro estar bem para que as idéias fluam. Quando consigo isso, as idéias centrais dos quadros vêm praticamente prontas em minha mente. Depois vou adaptando conforme vou encontrando as imagens nas revistas. Arranco páginas e mais páginas de revistas, separo por categoria e depois recorto conforme a necessidade.
A inspiração vem sobretudo das pessoas que estão à minha volta, incluindo eu mesmo. Aprecio a idéia de tentar retratar a essência do ser humano e das transformações provocadas quando em contato com o mundo, com nossas necessidades consumistas.
Gosto muito de falar da solidão em meio à multidão, dos sonhos, da utopia necessária à sobrevivência. Gosto, também, de falar da tristeza, mas da tristeza que resgata e que faz pensar e reagir.

Senhor do Lixo
CVSI: Qual você acredita ser a relação entre o criar, o inovar e sustentabilidade? Como a criatividade pode contribuir para um planeta melhor?
Silvio: O criar com colagem, por exemplo, invoca ao reaproveitamento. E esta é a essência de um mundo sustentável!
Comentários Extras:
Silvio: O ponto-chave para o meu despertar ecológico foi ter conhecido Dona Nêga, uma senhora de 70 anos, natural aqui da cidade em que hoje resido, Joanópolis – SP. Dona Nêga complementa sua aposentadoria recolhendo papelão, revistas e outros materiais para vendê-los à reciclagem. Tudo o que sobra de minha produção vai para ela. Vê-la com o vigor de um jovem de 18 anos, conseguir alterar toda uma realidade de vida difícil a partir da reciclagem, fez-me pensar muito. Se ela, sozinha, pode… Por que o Mundo não pode?
Para conhecer mais o trabalho do Silvio e apreciar suas criações maravilhosas, visite o site ou o flickr!
Silvio, obrigada pela oportunidade e muito sucesso sempre! CVSI
Gente… simplismente genial é como eu descrevo o trabalho da designer Dani Hasse!
Seu estilo versátil, criativo, de bom gosto e ousado invade e preenche nossa alma com muitooo prazer…adoro suas criações, de A a Z!! E adorei o tom de nossa conversa. Tenho certeza que vocês sentirão o mesmo…
OBRIGADO DANI!!
CVSI: Dani, sabemos que você é uma designer carioca que mora em São Paulo, que quando criança fazia desenhos para a mãe e que há uns quatro anos se dedica a fazer estampas, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é a Dani Hasse?
Dani: Eu sou uma pessoa tímida, reservada, que às vezes acha que prefere a companhia dos gatos à dos seres humanos. Sou tão obcecada por música quanto qualquer indivíduo da nossa era, já tive bandas e ainda canto muito bem em dueto imaginário com o Stephen Merritt. Faz tanto tempo que eu troquei as palavras pelas imagens que eu já nem consigo mais lembrar de quando isso aconteceu, e hoje em dia eu sou mais feliz por ter assumido a minha introspecção.

CVSI: Como, quando e onde se descobriu como designer?
Dani: Eu sempre desenhei, desde pequena, em qualquer pedaço de papel que me dessem. Mas esse trabalho sempre ficava dentro das minhas gavetas – no máximo os amigos viam, ou às vezes ia parar na capa de uma coletânea gravada em fita cassete de presente para alguém. Em 2005 eu soube que havia uma vaga de designer na Colcci, que fica em Brusque, há alguns quilômetros de Blumenau, cidade onde eu morava. Passei no teste com meu fichário de desenhos e virei designer da noite para o dia, aprendendo boa parte das técnicas na raça e no dia a dia.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?
Dani: Eu não faço a menor ideia – não sabia nem que eu iria chegar tão longe. Acho que tenho que deixar a vida fluir, e como o flow está bom, vamos ver onde é que as coisas vão parar.

CVSI: Suas criações são delicadas e versáteis. Como você se inspira para criá-las?
Dani: As ideias vêm de vários cantos, eu nem sei identificar de onde. Às vezes elas pipocam sozinhas, às vezes uma música ajuda, às vezes o meu marido me dá um insight e eu o transformo em imagens. Tem vezes que o conceito demora semanas para vir e outras ele aparece tão fortemente que eu tenho que fazer na mesma noite, senão não consigo nem dormir. Na verdade é bem perturbador.

CVSI: Você sente/acredita que a inspiração, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum?
Dani: Bom, se as inovações não nos tirarem do lugar comum, quem vai nos tirar? Creio que ainda temos uma dependência psicológica do “grande insight” que vai mudar a humanidade – isso é besteira. O conhecimento, num plano científico, é uma construção social, que necessita do trabalho de diferentes indivíduos. Então, em certas áreas, dependemos de muito esforço e de pequenos insights que, somados, dão um sentido maior a isso tudo. No campo das artes a questão é diferente, e apesar de estarmos com o peso dos séculos sobre as nossas costas com a sensação constante de que “tudo já foi feito”, ainda existe muito espaço para que a inovação subverta os lugares-comuns – mas, claro, devemos lembrar que o lugar comum de hoje já foi a grande ideia do passado.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por conseqüência, o enriquecimento de nossa existência?
Dani: Creio que a conexão do indivíduo com a sua verdade só vai ser respondida, no final, pelo próprio indivíduo. Atalhos e mapas são louváveis, mas em uma jornada cega como essa, a estrada se faz no caminhar. Pode ser que encontremos nossa inspiração, nossa verdade, muito mais perto de nós mesmos do que num blog, num livro, ou numa conversa – ela pode estar no miado insistente do seu gato, na mancha de café no fundo de uma xícara ou numa frase desafinada ouvida de uma maneira diferente quando aquela música que você gosta toca pela décima vez no repeat. Sei que isso pode parecer esvaziar qualquer esforço no sentido de orientar a própria busca, mas convenhamos, as chances de se encontrar tanto aquilo que se procura quanto aquilo que não se sabe que está sendo procurado são as mesmas.

Aqui mostramos alguns trabalhos da Dani, mas para conhecer mais
sobre as estampas, ilustrações e outros projetos da designer,
visite www.danielahasse.com
Bate Papo Estiloso com Kika Aidar, da Norità

Kika Aidar
Em semana de SPFW, trazemos uma entrevista com Kika Aidar, uma estilista incrível, alegre, alto astral que leva às alturas do sucesso a Norità. Um Bate Papo para perder a noção do tempo…Enjoy!
CVSI: Kika, sabemos que você é estilista e consultora de moda e que suas criações são encantadoras, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é a Kika?
Kika: A Kika é uma mulher tão alegre e contagiante quanto suas inspirações. Uma pessoa de personalidade forte, focada, trabalhadora, amável, educada e falante! Nascida em 15 de agosto de 1978, do signo de leão, minhas principais características são de uma autêntica leonina: enérgica, calorosa, generosa, fiel e sincera.
Adoro festas, dançar, cantar, sair para jantar e principalmente viajar. São destas viagens que trago belos tecidos, étnicos e exclusivos para criar lindas peças para minhas clientes.

Kika em suas viagens...
Sou apaixonada pela Natureza, pelos animais e pelas flores, as cores fortes e vibrantes me encantam!
Considero-me bastante brava. Sou exigente, perfeccionista e muitas vezes gosto que as coisas saiam e sejam do meu jeito. Aprendi após estes sete anos trabalhando em equipe a escutar e a dividir as tarefas com as outras pessoas, nunca esperei ninguém para fazer algo que eu queria, eu simplesmente ia lá e fazia!

CVSI: Como, quando e onde a moda surgiu em sua vida?
Kika: Formada em Negócios da Moda na faculdade Anhembi Morumbi, vislumbrei a possibilidade de ter meu próprio negócio. Tudo começou com meus trabalhos de faculdade nos quais desenvolvi coleções, marca, logo, loja, enfim… uma empresa de moda. A partir daí, com peças que comecei a criar, customizar e desenvolver artesanalmente para vender em bazares organizados por mim mesma para minhas amigas, foi sendo construída a imagem do que é hoje a Norità. A Norità surgiu através da união de três grandes amigas, muito diferentes entre si, de personalidades fortes, que sempre tiveram um sonho em comum: desenvolver uma marca própria.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê a Norita em um futuro próximo?
Kika: Com a saída das sócias, Júlia em 2005 e Camila em 2007, a Norità é hoje o vôo solo de Kika que agora atende somente com hora marcada no seu novo Atelier em Pinheiros.
Ali, além de criar peças únicas, atendo também minhas clientes prestando consultoria de moda e estilo. Quero focar nas peças sob medida e exclusivas feitas especiais para cada cliente.
Vivenciando as dificuldades de algumas clientes dentro do meu Atelier durante estes sete anos, criei uma proposta de consultoria para ajudar a mulher a se sentir satisfeita consigo mesma e com seu próprio armário, adequando-se à todas as mudanças – tanto pessoais como profissionais - de cada uma.

O caminho que sigo para a Norità hoje é ter mais tempo para criar, sem horário para chegar e para sair, poder ter mais flexibilidade para viajar e mais qualidade de vida. Acredito que muitas das inspirações vêm nestes momentos e não sentada apenas na frente de um computador fazendo pesquisa e vendo o que os outros estão fazendo. Observar o trabalho de outros e pesquisar o mercado faz parte de todas as profissões, mas na moda precisa ter autenticidade além da criatividade para criar peças autênticas e diferenciadas.

CVSI: Seu estilo é bastante criativo, alegre e contagiante. Como você se inspira para criar?
Kika: A minha maior inspiração sempre foi o estilo único de ser da minha avó, Dona Norita, uma mulher autêntica e bastante ousada para a sua época. Nascida em 15 de junho de 1921 era uma mulher de origem libanesa, de personalidade forte e bastante particular. Viajou o mundo inteiro trazendo peças, artigos, jóias e roupas étnicas, chiques, únicas e as usava como ninguém. Uma pessoa livre que se vestia do jeito que queria. Livre para impressionar as pessoas ao seu redor com as suas combinações e modelos.
A Dona Norita faleceu em 2001 e muitas de suas roupas, jóias, bijuterias, sapatos e bolsas ficaram de “herança” para mim. Hoje estas peças fazem parte da história da Norità. São inspirações para criações e algumas ficam expostas no atelier, para que dessa forma não seja perdido o elo com essa figura tão importante para a marca.

CVSI: Você sente/acredita que a inspiração com autenticidade, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?
Kika: A sustentabilidade é o foco! Ser sustentável está na moda! Sem dúvida, no mundo e na moda também temos que trabalhar cada vez mais em cima da reciclagem. Precisamos reciclar tudo, reciclar matérias-primas é o primeiro passo… Separar o lixo e aproveitar o máximo das coisas que temos: papel, tecido, comida, água e energia. O aquecimento global é culpa única dos seres humanos. Deixar pelo menos uma vez por semana o carro em casa, tomar banhos rápidos, levar sua sacola na hora de fazer compras no supermercado. Fica aqui a dica também para reciclar as idéias, a educação e a generosidade de que o mundo precisa.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação?
Kika: Acho uma excelente idéia ter este portal para que possamos dividir um pouco do que somos e do que fazemos com os outros. Se inspirar é lindo e poder mostrar um pouco da inspiração de cada um é mais interessante ainda. Os bastidores de cada artista deste teatro que é a vida está na verdade das respostas em que temos a oportunidade de escrever e mostrar para cada um dos leitores deste site. Parabéns!
Obrigada Kika! Foi um enorme prazer! CVSI
Para conhecer mais sobre o trabalho da Kika, viste: www.norita.com.br
Um Bate Papo Daqueles com Loro Verz!!!
Em nossa viagem “de cada dia” pela net encontramos muita gente talentosa e conectada consigo, fazendo arte com o coração. Nosso Bate Papo de hoje é com Loro Verz…um artista que se inspira ao abrir a janela de seu apartamento, no centro de São Paulo e que expressa em sua arte a mesma honestidade de suas palavras…imperdível! Deite e role…como fizemos! Obrigada Loro!
CVSI: Loro, sabemos que você é cartunista, artista plástico e ilustrador e que já expôs seu trabalho em São Paulo e em Londres, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Loro?
Loro: (Longo Silêncio) Um cigarro na mão, ainda acredito que consigo parar de fumar. (pausa) Quem é o Loro? (Pausa mais longa ainda) Um artista multifacetado, ansioso, olhar de criança atento ao que acontece a sua volta, fluxo de pensamentos desenfreados na cabeça, a mesma cabeça que fica a maior parte do tempo nas nuvens mas o pé no chão, confuso, colecionador de experiências, contador de estórias (pausa para um trago no velho cigarro que um dia será deixado como um amor desperdiçado).

Amo viver do jeito que vivo. Rodei o mundo em busca do ”Loro”. Quem é o Loro? Eco. Quem é o Loro? (Silêncio) Isso importa? Sim, importa sim….ou não. Talvez? ”Talvez” é a resposta para tudo. Me procuro e fujo de mim mesmo todos os dias. (Pausa) Esqueça tudo o que disse antes. Loro nunca fala de si mesmo em terceira pessoa….contraditório. Está em todos os lugares e se perde fácil, mas logo lá está ele se encontrando com ele mesmo.
Amo amar. Me perco para me encontrar. Mudo a cada segundo, não sinto falta de nehum dos ”Loros” do passado…..mas sem melancolia. Sou o mais religioso dos ateus. Já conversei com Deus. Loro é a parede do aquário que segura a pressão da água para os peixinhos nadarem livremente. É podre. Fiel. Apaixonante. Leonino. Egocêntrico. Honesto. Tão honesto e simples que as vezes beira a ingenuidade. Vulgar siginfica realista?.
Ri de si mesmo e ri do mundo com os outros. (Pausa para pegar um cigarro entre as cinzas do cinzeiro – esqueci de comprar cigarro) Boa pergunta…quem somos nós. Só sabe quem não é….não é o que? Sei lá…acho que entendi. Mas quando penso ter tudo sob controle, (ter controle não é uma meta) lá estou eu pergunatndo para os infinitos “Loros” nos labirintos espelhados na minha cabeça oca… Quem é o Loro? ( hahahhahahahha) Não era pra rir….era pra chorar? Estou rindo agora…. Quem não riu? O Loro. Que Loro?

CVSI: Como, quando e onde surgiu a arte em sua vida?
Loro: 1996. Ano importante. Somando -se 1+ 9+9+6 = 25; 2+ 5 = 7. Meu número da sorte. O maldito TOC me inspira. 1996. Entrei em direito na PUC-SP. Fui à Londres para ficar apenas por 6 meses e aprender a falar a língua da maçã na boca (Inglês Britânico). Seis meses se passaram, arrumei um emprego em um bar, liguei para casa e disse que não voltaria.
De certa maneira nunca mais voltei. Me apaixonei por uma Croata e lá fiquei por 8 anos. Descobria o mundo. As possibilidades são infinitas. Senti amor pela primeira vez. Meu amor pela croata abriu caminho para a arte. Descobri através dela que não tinha nada a ver com direito ou advocacia. Disse que era um artista. Hmmmmmmm…. Logo me recordei que eu era o cara que desenhava caricaturas na escola lá no fundo da classe.

Quase fui expulso de várias escolas, mas era um ótimo aluno. Sempre gostei de estudar, pois sou apaixonado em descobrir coisas novas. Sim. Desenhava. Sempre desenhei, sempre flertei com humor. Que é uma ótima proteção. Entrei na faculdade Central Saint Martins School of Art & Design blá blá blá blá….títulos ou posições sociais, intelectuais, vampiros nunca me interessaram…terminei a faculdade.
Durante os estudos trabalhei como porteiro, faxineiro, barman, decorador, panfleteiro, garçom, peão, lavei pratos, (pausa, acabei de achar um cigarro no canto de um maço todo amassado – meus olhos estão brilhando, meu pulmão ofuscado) sim, trabalhei no Mc Donald´s, fui encandor e eletricista. Todas são profissões respeitadas, acho bacana hoje em dia ir á um restaurante saber como são as coisas do outro lado da mesa!

Temos que conhecer o outro lado da meia-noite… e não ter medo de ver que a luz no fim do tunel é uma miragem! Trabalhei em uma galeria de arte (tomava café o dia todo). Dormi em vários lugares. Rua, casa de amigos e já tive um apto. só meu! A croata não aguentou e me deixou, não sou lá o mais fácil dos seres, tenho meus caprichos. Fazia xixi na pia….oh!!, minha honestidade de novo!
Bebia com frequência. No meu último emprego, dormia em um sleeping bag em uma garagem. Eu era porteiro do prédio. Trabalhava para um milionário que era um estelionatário, eu copiava quadros de um catálogo para ele decorar os milhares de prédios que ele possuia. Bebi uma noite, caí no chão, quebrei a mão. Sem mão, sem namorada, sem emprego….voltei para SP ( amo essa cidade!).

Morava na casa da minha irmã. Minha independência foi para a privada. Não sabia o que fazer. Comecei a dar aulas de Inglês. Depressão. Bebia bastante. Aluguei uma casa. Deprê se foi. Minha independência voltou! Duro, a grana dava só pro aluguel, mas liberdade não tem preço. Um dia vi em um shopping center uma tenda da MTV. Queria voltar para Londres. A tenda era minha salvação. Em letras garrafais podia se ler de longe. ”Dance o Clipe e Ganhe uma Viagem à Londres” Meus olhos brilharam.
Sempre dancei ”estranho”, ou melhor, minha dança nunca foi compreendida, Sempre odiei limites, passinhos, gente dançando como a Madonna… essa era a solução. Ganhar a competição e ir á Londres. Chegando em Londres, o plano era me desvencilhar da equipe da MTV e dar no pé. Fiquei em segundo lugar na competição… perdi a viagem. Ficou o mico. Hahhahahhaha, foi engraçado. Bebia bastante e ficava falando com os objetos de casa.

Pegava um cigarro e um cinzeiro e criava diálogos entre eles. Aí, comecei a desenhar tiras sobre isso. Frustação me inspira. Enviei as tiras para a Folha de São Paulo, 3º concurso de humor e ilustração. Fiquei entre os 15 finalistas. Um ano depois, ainda dando aulas de inglês, meu telefone toca. Do outro lado da linha uma voz estranha.
Alô? Loro? – Sim? Olá! Sou editor de um novo jornal que vai entrar em circulação em SP se chama Publimetro. Trabalhei na Folha e gostei das suas tiras. quer colaborar com o jornal? Virei cartunista do Metro. Fazia tiras sobre objetos que falavam entre si. Comecei com o que tinha na mesa quando voltava bebado. Cigarro, cinzeiro, copo, garrafa… aí comecei inserir novos ”personagens” ( nunca tinha um pesronagem fixo, odeio a rotina. E um fato: rotina mata neurônios).

Fiz diálogos entre privadas e outras coisas do gênero…o jornal não gostou. Que caretice! Eles reestruturaram o jornal e saí de lá. Acordei no meio da noite e me imaginei com 60 anos, ainda dando aulas de inglês, com um carro do ano na garagem, pagando prestações e morando de aluguel. Pedi demissão. Produzia painéis de MDF para mim mesmo, sem um objetivo principal, por prazer.
Liguei para um grande amigo, dono do Bar B no centro de SP e pedi para deixar uma painel lá pois estava jogando tudo fora de casa e estava indo morar na rua para começar de novo. Morar na rua pois não queria trabalhar como professor de inglês. Ele topou, deixei o painel no bar, voltei pra casa, joguei meu microondas que comprei nas Casas Bahia, (salve Casas Bahia) um dos pouco que me deram crédito!

Alguns dias depois o dono do bar B, grande Marcelo, me ligou e disse que um cara tinha comprado o painel e queria me conhecer. Ele é o dono do Maxhaus, outro grande amigo, Paim. Contei minha estória e ele me contratou como artista exclusivo dos empreendimentos imobiliários Maxhaus. Desde então muitas portas foram abertas, foquei na minha arte e já fiz trabalhos para a Puma, Shultz, ilustrações para New Balance, arte para arquitetos, exposições em Nova York, fui á londres pintar um Pub e muita coisa bacana.

Isso alavancou a carreira. Quando trabalhava de panfleteiro na rua, lá por 1999, conheci um artista que estudava na careta, tradicional e acadêmica Royal College of Art, mas ele tinha um diferencial, fazia grafite! Ele me ensinou a técnicas e grafitamos juntos. Isso me deu a ideia de dar aulas de grafite na Escola São Paulo. NÃO SOU GRAFITEIRO! Venho do também careta e tradicional acadêmico.
Fazia retratos à óleo…foi legal aprender a observar as coisas como elas realmente são para distorcê-las depois. Posso dizer que a arte me salvou! Toda minha trajetória até hoje estava apontando para um único caminho…a arte! Faço tudo que faço de coração. Não quero agradar ninguém. Não quero tapinhas nas costas. Não quero descobrir uma fórmula e me copiar! Já está mais que na hora de fazer uma arte diferente, sinto que logo mais mudo o caminho! Caramba, vou parar aqui. Escrevi uma bíblia…..
CVSI: Fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?
Loro: Meu projeto é ter meu própio espaço. Um galpão. No andar de baixo uma oficina e uma ”mini galeria” com meus trabalhos. No andar de cima eu moro. Mas não quero uma gota de tinta no piso superior! Acho legal separar o lugar de trabalho e o lugar para viver. Estou cansado de dormir entre meus painéis. Moro em um apto. no centro (me mudei para a boca do lixo para influenciar o trabalho, e já influenciou. Os letreiros das casas noturnas, as saias coloridas dos travestis me inspiram. O trabalho está mais colorido e com mais comentários).

Meu plano é não deixar ninguém explorar o que faço! Tem tanto artista fantástico sendo explorado. Isso é uma merda. Não tenho agente. Corro atrás das coisas como sempre fiz. Amo ser independente, ninguém precisa de um sanguessuga ao lado. Tenho muito que explorar o que faço. Quero retornar ao careta e tradicional acadêmico, ver no que dá! Preciso urgentemente experimentar mais!
CVSI: Loro, suas criações são cheias de personalidade e muito divertidas. Como você se inspira para criá-las?
Loro: O meio influencia meu trabalho. Me mudei para o centro de SP atrás de inspiração. Como disse acima, moro na boca do lixo. Isso em inspira. Coloco toda aquela energia maluca do centrão nos painéis que faço. Como me inspiro para criá-los hoje? Abro a janela do meu apto. E olho para a rua por uns 15 minutos. Milhões de ideias são geradas na cabeça.
CVSI: Você sente/acredita que a inspiração, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?
Loro: Criatividade é tudo! Desde bombril na antena da TV até a criar maneiras criativas para pagar as contas! Hahhahahhaha. Ser criativo é essencial hoje em dia, mas a grande maioria ainda prefere que os outros pensem por eles. Isso é triste, mas bem real!
CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por conseqüência, o enriquecimento de nossa existência?
Loro: Acho muito legal a proposta do site. Mostra os bastidores do artista. As portas do fundo são sempre as mais verdadeiras e interessantes. É interessante conhecer a estória de alguém. Assim podemos fazer o que viemos fazer aqui….trocar informações e tomar cerveja com os amigos!
Para descobrir mais sobre o trabalho incrível do Loro, clique aqui.
Um Bate Papo diferente, sobre um tema apaixonante: fotografia. Felipe Arantes nos dá o previlégio de saber um pouco mais sobre o caminho que trilha atrás desta paixão. Divirtam-se e apaixonem-se!
CVSI: Sabemos que é um apaixonado por fotografia e que une essa paixão à natureza, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Felipe?
Felipe: Sou um cara tranqüilo que desde pequeno ama a natureza e procura sempre estar em contato com ela. Tenho 21 anos e sou estudante de biologia, em São Paulo. Quando tenho um tempo livre adoro fotografar, e dessa maneira aprendo cada dia mais…

CVSI: Como, quando e onde vc começou a fotografar? O que se passava em sua vida naquele momento?
Felipe: Na verdade eu sempre gostei muito de fotografia… Até que sobrou uma grana no começo deste ano e comprei uma câmera legal. Aí, pude começar a fotografar de verdade. Comecei em São Paulo, mas sempre que tenho um tempo pra ir pra praia e para o interior, ou em qualquer lugar com paisagens bonitas, estou lá.
Minha vida estava muito tranqüila. Naquele momento, eu estava estudando bastante e foi quando comecei a me dedicar mais a fotografia.

CVSI: O que você faz para se conectar com sua inspiração, ou seja, como você se inspira? E como transforma sua inspiração em fotos, imagens?
Felipe: Sempre procuro uma paisagem bonita para me inspirar e também os animais e as plantas, descobrir um novo olhar sobre alguma paisagem que as pessoas já conhecem… Por isso, gosto muito das fotos de paisagem noturna, pois dessa forma revelo uma imagem que muitas vezes não se vê.

CVSI: Conte-nos um pouco sobre seus planos para o futuro, em relação à fotografia?
Felipe: Tenho planos de trabalhar mesmo com fotografia, ou seja, ganhar o meu dinheiro através dessa arte. Ainda pretendo comprar mais algumas lentes e assim ampliar o meu olhar e a maneira como as pessoas vêem a natureza. Também quero aperfeiçoar meus conhecimentos, pois sempre tem algo novo a se aprender.

CVSI: Você sente/acredita que a criatividade, a imaginação, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?
Felipe: Sim, acredito muito, pois somente através da criatividade criaremos outra visão de mundo, confirmando que cada pessoa é única e o que ela tem a oferecer é fruto de sua criatividade, valorizando, assim, o criar.

Cartas A Um Jovem Designer – Irmãos Campana
Lendo o livro “Cartas A Um Jovem Designer – Irmãos Campana“, não resisti e resolvi escrever aqui um pouco do que encontrei lá.
No livro, Fernando e Humberto, os designers internacionais conhecidos como Irmãos Campana, falam de suas trajetórias, de suas obras, de suas verdades. Contam como interagem com o mundo, com as pessoas e como imaginam um mundo melhor.

Como aparece no livro, eles têm como compromisso o “não a ousadia pela ousadia, mas aquela que parte da vontade de manifestar uma verdade interior.”
Nossa cara, não?
Ali definem que “ser humilde é estar em contato com a vida, ter a capacidade de enxergar o que esta acontecendo e se inspirar nisso…”.
E deixam um conselho importante: “Escolha uma linha baseada nos desejos, nos instrumentos e nas capacidades que você reconhece em si próprio desde a infância, algo que vem lá de trás e, então, respeite essa linha e direcione seu potencial. Isso dará uma personalidade ao seu trabalho que vem de processar o mundo, os materiais, os métodos de produção etc., de acordo com sua sensibilidade, seu filtro pessoal. Não adianta querer ser o que não é, camuflar uma fraqueza; não adianta entrar na onda do momento e muito menos copiar. Se você for fiel a si mesmo, vai encontrar um jeito que é só seu.”

Queremos muito entrevistá-los aqui no CVSI e esse livro nos deixa ainda mais interessadas em realizar esse Bate Papo.
Interpretando Inspiração

Inspiração,essa palavra realmente me faz parar para pensar… Gosto de pensar nela como algo que nos tira da zona de conforto: quando buscamos inspiração temos que nos movimentar, temos que, talvez, desconectar de tudo e conectar com a nossa voz, ouvir a música que nos toca, olhar a paisagem que nos fascina, sair da rotina, do habitual.

Essa é a essência da palavra inspiração, assim eu sempre senti e agora posso afirmar, pois depois de entrevistar três artistas aqui no nosso blog, que admiro muito: é isso mesmo! Inspiração vem através de um olhar para dentro, um olhar para fora, sempre com a intensidade devida, uma conexão com o mundo através de nossa alma.

Cada vez mais acharemos maneiras novas e mais interessantes de nos inspirar, de alcançar inspiração. A nossa alma pode atingir lugares nunca antes visitados. Se quisermos inovar, teremos que buscar cada vez mais estar conectados, nos inspirar.

Esse é e será o nosso desafio!

Como você se Inspira? Além de ser o nome do nosso blog, temos curiosidade em saber dos criadores como eles fazem, queremos inspirar, nos inspirar, trocar experiências ricas, motivar a inspiração para que ela se expanda e atinja níveis cada vez mais inovadores e fantásticos. E dessa maneira acreditamos que se pode mudar o mundo. 
Não é possível falar de inspiração e não mencionar a inovação… Conceitos ligados: um é – com certeza – produto do outro, sem um o outro não existe.
Quando nos referimos à inspiração acreditamos que ela é como a matéria prima na hora de produzir algo, com a diferença de que não pode ser comprada. Ela é exclusiva, única e não tem preço.


