Inspiração: Matéria Prima do Século XXI
A falta de criatividade, a competição predatória, baixo custo de mão de obra, produção em massa e consumo desenfreado são características de um mundo que acaba em uma crise profunda, onde pessoas físicas e jurídicas gastam mais do que têm e todos acabam tendo que rever seus valores financeiros e intelectuais. Esse é o cenário atual, reflexo de uma Economia Industrial.

Imagem de Andres Breijo
Existe uma tendência, porém, de a Economia Industrial dar espaço a um novo conceito de economia, a Economia Criativa.

Imagem de Orxeira
Mas afinal, o que é Economia Criativa?
O conceito ainda não é muito claro, mas gira em torno de atividades que tenham como principal fonte de recurso a criatividade.
Alguns estudos apontam que existe uma forte relação entre criatividade e produtividade, e concluem que o Brasil poderia aproveitar melhor suas vantagens competitivas naturais, ou seja, a diversidade cultural e a abundância de criatividade de seus artistas e designers e transformá-las em capacitação, geração de empregos e renda e divisas para o país.
Por outro lado, sabemos que nenhuma idéia acontece sem inspiração.
Acreditando na Economia Criativa e em seu potencial de contribuição para o desenvolvimento sustentável, o Como você se inspira? pretende participar desse novo e otimista cenário, interagindo, promovendo, conectando inspirações e criadores, estimulando a inovação e idealizando modelos de capacitação.
Queremos um futuro diferente, sustentável, com mais foco social e tremendamente inovador… e queremos participar ativamente desse processo, promovendo a inspiração: matéria prima do século XXI.
Pensar Fora da Caixa Sempre Faz a Diferença
E falando de Economia Criativa, vamos falar um pouco Sakina M´Sa? Esta estilista sul-africana radicada na França que possui características de uma pessoa apaixonada pelos projetos que desenvolve em sua trajetória singular. Suas criações representam a reflexão íntima e honesta de uma estória repleta de símbolos.
Símbolos de uma mulher que ultrapassou os limites de sua origem e apresentou sua identidade com talento e determinação.
O estilo de Sakina é realmente generoso, poetico. Ela brinca com uma variedade de elementos: têxtil, geográfico e literário. Os temas que ela guarda perto do coração são: planeta terra, identidade e memória. Um aspecto imperdível de seu perfil explora a inclusão dos menos favorecidos, socialmente falando, de maneira que eles possam participar da indústria da moda desenvolvendo habilidades para fabricar e apresentar uma coleção. Ela realmente acredita na democratização desta indústria.
Sakina esteve no Brasil agora em Junho realizando um trabalho novo que foi exposto durante o SPFW chamado de Brasilópolis Jardim Paris. Quando perguntada sobre esse intercâmbio entre Brasil e Paris ela explica que a idéia foi um trabalho com duas fases, uma montando metade dos vestidos em Paris – com trabalhos como plissé e passe poil e outra integrando com a parte desenvolvida em São Paulo – com detalhes em fuxico, bordados e crochê, sempre na cor branca.
A parte do trabalho desenvolvido no Brasil é fruto de uma parceria que tem com a ONG Movimento Comunitário Estrela Nova – onde conta com o suporte de 10 costureiras locais para confecção de peças para exposição, além de desenvolvê-las e qualificá-las para alta costura.
Além disso, realizou uma palestra em um dos campus da Universidade Anhembi Morumbi, contando um pouco de sua trajetória e do seu trabalho.
Economia Criativa é isso!
Quanta inspiração!
Criatividade e Inclusão Social
Inclusão social
Já ouviu falar de economia criativa? Entendo que o conceito ainda não está muito claro, mas gira em torno de atividades que tenham como principal fonte de recurso a criatividade.
Esse movimento teve início na Inglaterra e desde 1997 a economia criativa é usada para movimentar e incrementar a indústria inglesa, além de gerar divisas e desenvolvimento social. Sabe-se que a indústria cultural é a maior empregadora da Inglaterra e com 1,3 milhão de pessoas e a participação desse setor no mercado mundial duplicou nos três primeiros anos do novo milênio.
De acordo com a UNESCO, dados de 2005 mostravam que apenas 03 países: Reino Unido, Estados Unidos e China, produziam 40% dos bens culturais comercializados no mercado mundial, incluindo livros, esculturas e outros objetos de arte e decoração, CDs, filmes, videogames.
A África e a América Latina participam nesse mercado com 4%. Esses números evidenciam o desperdício de talentos e oportunidades de negócios nos países subdesenvolvidos.
No Brasil, os primeiros registros de estudos sobre a economia criativa datam de 2004, por ocasião da 11ª. Reunião da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD).Esteve em pauta a necessidade de se formular políticas públicas e privadas para incentivar o setor a gerar emprego, renda e inclusão social, aproveitando a diversidade cultural do país e a facilidade dos jovens em compreender a linguagem artística contida nos programas de qualificação das instituições culturais.
O programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, define desenvolvimento como processo de ampliação de escolhas.
Nos paises em desenvolvimento onde a exclusão social tem uma relação forte e positiva com os índices de criminalidade e há uma dificuldade evidente em alocar a mão-de-obra pouco qualificada em atividades urbanas; ampliar escolhas no setor cultural pode atrair jovens de baixa renda e pouca escolaridade através de programas de qualificação e geração de primeiro emprego.
A Bahia sediou, em 2005, o Fórum Internacional de Indústrias Criativas, onde se ressaltou a importância do mercado da Cultura e se lançou o Centro Internacional das Indústrias Criativas.
Nessa ocasião, o Ministro da Cultura Gilberto Gil enfatizou que a indústria criativa como "epítome dos desafios e oportunidades que os países em desenvolvimento enfrentam no nosso mundo globalizado. A nova economia criativa, na qual a criatividade, experimentação e engenho têm papel preponderante na determinação da competitividade das nações e na criação de valores econômicos."
Em Pernambuco, um exemplo da prática de economia criativa é a empresa 4BMGR Ofice Artezanatos (GATOS DE RUA) cujos produtos são criações do designer Beto Kelner, diretor do Instituto Gatos de Rua.
A empresa apóia o Instituto, em contrapartida utiliza sua marca e contrata preferencialmente os jovens treinados no Instituto como seus empregados.
O instituto adota a metodologia da capacitação massiva para treinar os jovens, geralmente de baixa escolaridade, na execução de acessórios, esculturas, objetos de decoração e utilitários, criados pelo artista Beto Kelner que é também monitor do processo de aprendizagem dos jovens. O desempenho positivo desses jovens demonstra a relação benéfica que existe entre economia criativa e inclusão social.
No Brasil, apesar da vantagem comparativa gerada pela diversidade, o Produto Interno bruto (PIB) cultural contribui com apenas 1% da riqueza nacional, enquanto a média de participação mundial é de 7% do PIB, com amplas possibilidades de chegar a 10%, segundo cálculos da Organização das Nações Unidas (ONU).
A disparidade chamou atenção dos organismos internacionais que reconhecem a importância da cultura no desenvolvimento socioeconômico dos países. O presidente do Banco Mundial fez o seguinte relato: "considerações culturais devem ser incorporadas em todos os aspectos do desenvolvimento, se quisermos que o desenvolvimento seja sustentável e efetivo. A cultura é um recurso subestimado nos países em desenvolvimento. Pode gerar renda, emprego, divisas e inclusão social. Além disso, o apoio às atividades culturais gera um profundo bem-estar, na organização social e no funcionamento da sociedade".
Pesquisas internacionais (Richard Florida e Irene Tinaglia, professores da Carnegie Mellon University em Pittsburg), 2005, indicam que há uma relação positiva e crescente entre economia criativa e produtividade.A pesquisa analisou 45 países e o Brasil ficou em 43ª. posição, na frente apenas da Romênia e Peru. Ficou atrás da Argentina, México, Turquia, Chile, Uruguai.Comparando esses dados com estudo da FIESP (2005)sobre índice de produtividade publicada na Folha de São Paulo, referente a 43 países o Brasil ficou em 39ª. posição. O cruzamento dessas duas pesquisas pode validar a teoria de que há uma forte relação entre criatividade e produtividade, pois os 10 primeiros países com maior índice de produtividade são também os que mais investem em economia criativa.
A conclusão desse estudo sugere que o Brasil deve aproveitar melhor as vantagens comparativas naturais derivadas da diversidade cultural e da abundância de recursos humanos que provem de seus artistas e designers e transformá-las em vantagens competitivas gerando novos empregos para os jovens, renda e divisas para o país.