WOW! Que delícia de conversa foi essa com o Edu… Uma trajetória de deixar qualquer um com vontade de criar, encontrar seu talento criativo, explorá-lo … e fazer arte. Como ele mesmo diz, ”a arte tem a capacidade de inspirar a todos porque ela se conecta profundamente com o indivíduo e pode transformá-lo por dentro.”  Tive o prazer de conhecer o trabalho do Edu através de sua esposa, Lili, e fico feliz de poder mostrar para vocês um pouco sobre essa incrível descoberta… basta se conectar!

 

CVSI: Edu, sabemos que você é designer e animador e que desenha profissionalmente desde os anos 90 – com passagens por renomadas produtoras brasileiras. Mas fale mais sobre você, quem é o Edu?

Edu: Sou da chamada Old School, do lápis sobre papel. Gosto de pintar com tintas, riscar com grafites, crayons, carvões, pastéis, experimentar texturas de papéis, animar flipando folhas no disco sobre o backligth. Mas também amo tecnologia, ferramentas digitais, vetores, pixels, tweens e códigos.

Nasci em um mundo sem Google. Buscava imagens em bancas de jornal, livrarias, sebos e bibliotecas. Estudei vídeos de animação e revistas em quadrinhos, livros ilustrados, fascículos didáticos, livros de arte. Pesquisava o mercado em catálogos e revistas especializadas.

Por sorte, tive acesso a ricos acervos de produtoras com vídeos de festivais do mundo inteiro e livros raros. Fui orientado por excelentes diretores-professores, pioneiros da animação brasileira. Trocava informações com amigos que trabalhavam fora do Brasil, fazia freelas para a Europa via FedEx.

Freqüentava galerias de arte e museus para desenhar. Minhas redes sociais eram a escola, oficinas de desenho e modelo vivo, círculos de amigos profissionais. Estudava e desenhava sem parar. Amo muito essa época de transição da era analógica para a digital. Com a internet me aprofundo em níveis antes impensáveis tanto em técnica de desenho quanto em pesquisas teóricas. Mas a obsessão é a mesma de sempre.

Sou apaixonado pela minha família, pai de uma menina linda de quase 4 aninhos que exerce total influência sobre minha arte através de seus comentários e desenhos.

luisa-e-eu

CVSI: Quando, onde e como sua carreira artística começou? O que se passava em sua vida naquele momento?

Edu: Desenho desde criança e logo cedo levei minha pasta de desenhos para as editoras, agências de publicidade, produtoras de animação e cartunistas. Ouvi muitas opiniões de diversos profissionais. Fui montando meu portfólio amador até conseguir meu primeiro emprego como assistente de arte aos 15 anos. Caminhava para uma carreira em artes gráficas quando aos 18 decidi mergulhar de cabeça no mercado de animação.

Apresentei meus desenhos para o pioneiro da animação publicitária brasileira Daniel Messias em São Paulo e passei a integrar sua equipe. Foi aí que começou minha formação profissional. Durante vários anos trabalhei passando por todos os processos de criação e produção: roteiro, storyboard, layout, animação, filmagem, sonorização, finalização. Mas mantive sempre o foco no desenho de personagens, concept e animação.

Tubeland Popeye

CVSI: Por favor, fale um pouco sobre seus trabalhos e seu estilo e, também, quais são seus projetos e planos para o futuro?

Edu: Meu portfólio On Demand (souzacampus.com/ondemand) é uma coleção de personagens, layouts e animações. Mas além de trabalhar sob demanda para o mercado de publicidade e web, também desenvolvo minha criação pessoal como blogs, paper-toys, stickers, curtas, animação, objetos, intervenções urbanas, sempre relacionadas com o desenho da figura humana.

On Demand

Estudo a história das imagens e tento compreender como se dá o processo de formação de nosso banco de imagens mentais e como essas imagens interferem em nosso comportamento. Sou um antroponauta que navega em universos mentais buscando compreender o mundo através dos olhos dos outros.

Através de meus blogs exponho meu processo de trabalho e publico o progresso de meus projetos gráficos e animações.

Antroponauta Crânios 06

A série Antroponauta (souzacampus.com/antroponauta) reúne desenhos e animações em linha-contínua baseados na anatomia humana. Tubeland (souzacampus.com/tubeland) é um universo de personagens da cultura pop em forma de tubos disponíveis no blog como paper toys. São Paulo Multiverso (souzacampus.com/saopaulomultiverso) são cartuns sobre a cidade. Todos são projetos em desenvolvimento contínuo. São obras que levam em conta não só o resultado final, mas também seu próprio processo de desenvolvimento.

Antroponauta Árvore

CVSI: Claro que também queremos saber Como Você se Inspira para criar esta arte tão expressiva e cheia de emoção…

Edu: Amo os clássicos. Figuras históricas e suas obras que influenciaram a humanidade através da Arte, Filosofia e Ciência me inspiram imensamente. Sou fascinado por obras monumentais que representam civilizações antigas como a grega, egípcia, romana, maia, inca, construídas com o objetivo de decodificar o movimento dos astros e da natureza a partir da observação, padrões geométricos e construções matemáticas.

E viva as lindas figuras de Botticelli, os estudos anatômicos de Leonardo, a solidez de Michelangelo, o coletivo de Bosh, a composição de David, a desconstrução de Picasso, os recortes de Matisse.

O cartum clássico das décadas de 20 a 50. A era de ouro da animação americana, os grandes personagens dos Fleischers, Paul Terry, Walt Disney, Walter Lantz, Tex Avery, Bob Clampett, Chuck Jones, Willian Hanna, Joseph Barbera, UPA studios. O cinema de Chaplin, Hitchcock, Jack Tati, Truffaut, Felini, Kubrick, Lynch, Tim Burton.

Na hora de trabalhar, muita música para ajudar na imersão, sempre relacionada com o trabalho. Muito jazz e clássico, bossa e samba, black e soul.

A genialidade do ser humano me inspira. As pessoas que amo me inspiram porque elas dão sentido a tudo o que faço.

Multiverso Calçada

CVSI: Qual você acredita ser a relação entre a arte, o inovar com criatividade e sustentabilidade? Como a criatividade pode contribuir para um planeta melhor?

Edu: A humanidade sempre trabalhou para melhorar o ambiente à sua volta de modo a prolongar sua própria sobrevivência, mas essa dominação nos levou a transformar o planeta de uma maneira desequilibrada, jamais imaginada. Nunca tivemos tanta consciência global como agora. Cabe a todos transformar o mundo com consciência e equilíbrio.

A arte tem a capacidade de inspirar a todos porque ela se conecta profundamente com o indivíduo e pode transformá-lo por dentro. Ela quebra paradigmas, apresenta perspectivas únicas sobre o mundo. A criatividade deve ser usada não mais a serviço da dominação, mas para compartilhar simplicidade. O que é bom para o planeta, é bom para o indivíduo.

 

Série Tubeland Exposição

Obrigada Edu! Para quem quiser dar aquela espiada na variedade enorme de criações do Edu, clique aqui! E, abaixo, mais imagens sensacionais…Enjoy!

 

Antroponauta Borboleta e Rosa

 

Antroponauta Black

 

Tubeland Barney

Tubeland Mostra

 

Tubeland Paper Toys

 

Gente… simplismente genial é como eu descrevo o trabalho da designer Dani Hasse!

Seu estilo versátil, criativo, de bom gosto e ousado invade e preenche nossa alma com muitooo prazer…adoro suas criações, de A a Z!!  E adorei o tom de nossa conversa. Tenho certeza que vocês sentirão o mesmo…

OBRIGADO DANI!!

 

 

CVSI: Dani, sabemos que você é uma designer carioca que mora em São Paulo, que quando criança fazia desenhos para a mãe e que há uns quatro anos se dedica a fazer estampas, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é a Dani Hasse?           

Dani: Eu sou uma pessoa tímida, reservada, que às vezes acha que prefere a companhia dos gatos à dos seres humanos. Sou tão obcecada por música quanto qualquer indivíduo da nossa era, já tive bandas e ainda canto muito bem em dueto imaginário com o Stephen Merritt. Faz tanto tempo que eu troquei as palavras pelas imagens que eu já nem consigo mais lembrar de quando isso aconteceu, e hoje em dia eu sou mais feliz por ter assumido a minha introspecção.

CVSI: Como, quando e onde se descobriu como designer?

Dani: Eu sempre desenhei, desde pequena, em qualquer pedaço de papel que me dessem. Mas esse trabalho sempre ficava dentro das minhas gavetas – no máximo os amigos viam, ou às vezes ia parar na capa de uma coletânea gravada em fita cassete de presente para alguém. Em 2005 eu soube que havia uma vaga de designer na Colcci, que fica em Brusque, há alguns quilômetros de Blumenau, cidade onde eu morava. Passei no teste com meu fichário de desenhos e virei designer da noite para o dia, aprendendo boa parte das técnicas na raça e no dia a dia.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?

Dani: Eu não faço a menor ideia – não sabia nem que eu iria chegar tão longe. Acho que tenho que deixar a vida fluir, e como o flow está bom, vamos ver onde é que as coisas vão parar.

CVSI: Suas criações são delicadas e versáteis. Como você se inspira para criá-las?

Dani: As ideias vêm de vários cantos, eu nem sei identificar de onde. Às vezes elas pipocam sozinhas, às vezes uma música ajuda, às vezes o meu marido me dá um insight e eu o transformo em imagens.  Tem vezes que o conceito demora semanas para vir e outras ele aparece tão fortemente que eu tenho que fazer na mesma noite, senão não consigo nem dormir. Na verdade é bem perturbador.

CVSI: Você sente/acredita que a inspiração, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum?

Dani: Bom, se as inovações não nos tirarem do lugar comum, quem vai nos tirar? Creio que ainda temos uma dependência psicológica do “grande insight” que vai mudar a humanidade – isso é besteira. O conhecimento, num plano científico, é uma construção social, que necessita do trabalho de diferentes indivíduos. Então, em certas áreas, dependemos de muito esforço e de pequenos insights que, somados, dão um sentido maior a isso tudo. No campo das artes a questão é diferente, e apesar de estarmos com o peso dos séculos sobre as nossas costas com a sensação constante de que “tudo já foi feito”, ainda existe muito espaço para que a inovação subverta os lugares-comuns – mas, claro, devemos lembrar que o lugar comum de hoje já foi a grande ideia do passado.

CVSI:  Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por conseqüência, o enriquecimento de nossa existência?

Dani: Creio que a conexão do indivíduo com a sua verdade só vai ser respondida, no final, pelo próprio indivíduo. Atalhos e mapas são louváveis, mas em uma jornada cega como essa, a estrada se faz no caminhar.  Pode ser que encontremos nossa inspiração, nossa verdade, muito mais perto de nós mesmos do que num blog, num livro, ou numa conversa – ela pode estar no miado insistente do seu gato, na mancha de café no fundo de uma xícara ou numa frase desafinada ouvida de uma maneira diferente quando aquela música que você gosta toca pela décima vez no repeat. Sei que isso pode parecer esvaziar qualquer esforço no sentido de orientar a própria busca, mas convenhamos, as chances de se encontrar tanto aquilo que se procura quanto aquilo que não se sabe que está sendo procurado são as mesmas.

Aqui mostramos alguns trabalhos da Dani, mas para conhecer mais

sobre as estampas, ilustrações e outros projetos da designer,

visite www.danielahasse.com

O Brazil dá um show de criatividade e, no caso do designer Rodrigo Almeida - com quem conversamos um pouco aqui no CVSI – esse show ultrapassou as barreiras geográficas e, no momento, ele está expondo em Paris! Mais detalhes…só lendo nosso Bate Papo! 

CVSI: Rodrigo, sabemos que você é um artista muito criativo, um designer especialista em re-design com experiência internacional, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Rodrigo?

Rodrigo _ Não me considero um especialista em re-design , a construção e descontração do objeto se dá em todas as manifestações artísticas e o reuso de matérias ou materiais é apenas um dos lados do meu trabalho. Sou basicamente um designer brasileiro obcecado pela cultura brasileira.

Não faço um trabalho inspirado no Brasil,  sou brasileiro .

CVSI: Como, quando e onde a arte surgiu em sua vida?

Rodrigo_Quando criança achava que seria artista plástico, passei por vários suportes até descobrir o design.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?

Rodrigo_ Estou sendo muito bem recebido pela imprensa brasileira , mas são poucas as empresas brasileiras que trabalham com criação, sabem desenvolver produtos e pensam global, por isso minha carreira sempre acontece mais  fora do Brasil.

Em um futuro próximo me vejo cada vez mais e mais dentro de um avião pra cumprir minha agenda fora do Brasil .

De 23 a 27 de janeiro participo da exposição Transcultures na Maison&Objet em Paris e de 3 de abril a 15 de maio estarei com minha exposição individual na galeria FAT, também em Paris .

CVSI: Suas criações são únicas e muito charmosas. Como você se inspira para criá-las?

Rodrigo_ Não trabalho com inspirações especificas, são muitas camadas de imagens que vão se acumulando e formando uma nova imagem que se concretiza em produtos comerciais ou não .

CVSI: Você sente/acredita que a inspiração, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?

Rodrigo_ A  criatividade e  inovação sempre foram atributos da industria ou pelo menos da industria inteligente, o desafio é fazer com que o bom desenho chegue a grande escala.

Estamos vivendo um momento de desmaterialização  da industria e precisamos não só de produtos sustentáveis, mas de técnicas sustentáveis de produção .

No caso especifico da industria de mobiliário, o trabalho de pesquisa e desenvolvimento de projetos está muito interessante, o apoio da imprensa, museus, galerias e algumas empresas  estão sendo fundamentais para alavancar as novas possibilidades de se pensar e produzir design.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por conseqüência, o enriquecimento de nossa existência?

Rodrigo_ É uma proposta bastante ambiciosa,  mas necessária. Sempre me sinto seduzido pela idéia romântica de que podemos mudar o mundo, mas acho que pelo menos ao mundo que nos cerca é realmente possível gerar bem estar e criatividade .

Obrigada Rodrigo! E sucesso em Paris! O site do Rodrigo é www.rodrigoalmeidadesign.com

Um 2010 perfeito para todos nós! E para começar este ano que promete ser muito especial, convidamos um artista - também muito especial - que não só cria e produz uma arte deslumbrante, mas a faz transformado sucata em beleza pura. Sejam bem vindos a este primeiro Bate Papo Inspirado de 2010 e muita luz!

CVSI: Paulo, sabemos que você é um artesão-designer que trabalhou como oficineiro de reciclagem de papel e fibras naturais e hoje tem seu atelier onde transforma sucata em objetos de arte e decoração inovadores, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Paulo?

Paulo: Difícil responder, já que venho me conhecendo a cada dia, mas vou tentar. Gêmeos com ascendente em gêmeos e lua em touro, filho de militar (isso fez com que eu conhecesse muitos lugares e diferentes culturas e costumes). Desde criança fui um pouco “cientista maluco” adorava brinquedos que envolviam química ou eletricidade. Hiperativo, com uns 10 anos já “reformava” meus brinquedos à pilha, relógios e o que viesse pela frente, deixando meus pais loucos. Uma de minhas paixões é o “domínio de materiais” e no percurso desses 46 anos aprendi desde o papel até a fundição de metais, passando por polímeros (plásticos e acrílicos), vidros e lapidação. Dediquei uma boa parte de minha vida a “Educação Social” onde me valia desse conhecimento promovendo oficinas de papel artesanal, cartonagem e encadernação para adolescentes em vários projetos sociais.

Acredito que em trabalhos dessa natureza é muito mais importante absorver a cultura e costumes da clientela do que chegar ditando regras que lhe são absolutamente estranhas. Mas paralelamente a tudo sempre estava envolvido com decoração de ambientes desenho, pintura e escultura, eram meu hobby.

CVSI: Como, quando e onde surgiu a marca Paulo Toledo? O que se passava em sua vida naquele momento?

Paulo: Me sentia “nadando contra a corrente” em projetos sociais atrelados ao poder público que, inevitavelmente, acabam se tornando apenas ferramentas político eleitoreiras. Um dia resolvi dar um basta. Inverti a situação, transformei meu hobby em profissão e agora, como voluntário, transformei também minha profissão em hobby. Vivemos em um mundo de possibilidades e penso ser importante estarmos atentos às chances de mudanças.

Logo que comecei o trabalho, (isso faz apenas 3 anos) não tinha muita noção do que faria, mas já recuperava peças encontradas em desmanches e demolições e vendia em uma famosa loja de decoração em São Paulo. Comecei então a criar algumas peças e colocá-las nas lojas, foi então que percebi que poderia haver mercado para elas.

Como trabalho sozinho, resolvi usar meu próprio nome, já que as duas coisas acabam se misturando mesmo (a criação e o criador), mas penso sempre em criar uma outra marca onde possa estar envolvendo mais gente no trabalho.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê os produtos Paulo Toledo em um futuro próximo?

Paulo: Não imaginava me tornar um designer, sou um artesão que de repente começou a ser citado na mídia como designer, talvez devido às características contemporâneas de meu trabalho. No momento estou desenvolvendo uma nova coleção, que mantem as características básicas do trabalho (fotos), mas agregando cores e texturas.

Quando resolvi trabalhar com ferro, fiz antes uma longa pesquisa sobe o que havia disponível no mercado, examinando tendências e, principalmente, tendo a preocupação de nunca fazer nada parecido com o que já existia. Portanto, minha pretensão com esse trabalho é realmente desafiar esse ciclo produtivo absolutamente insustentável em que a humanidade se enfiou, chacoalhar os conceitos (quase todos que vão a uma exposição minha dizem:_ “vai ser impossível ver os restos de ferro e madeira com os mesmos olhos depois de hoje”).

É para isso que faço meu trabalho, a venda é só uma consequência. Acredito que há tanta ousadia na execução do meu trabalho quanto há ousadia em quem o adquire. Procuro ser quase didático, com peças que não escondem as origens da matéria prima. É isso, vejo meu trabalho como uma mistura de arte e didática, como se o educador continuasse gritando em mim.

CVSI: Você exala criatividade e poder de transformação em seus produtos e criações. Como você se inspira para criá-los?

Paulo: O importante é não ter um conceito fechado sobre nada , muitas vezes faço uma peça extremamente trabalhosa e no final ela não me emociona, então eu a reciclo. Em outras quase não há trabalho, mas quando olho, ela me diz: “estou pronta”. Há uma relação profunda entre eu, o material e a forma no momento da criação, uma relação de amor com o objeto, penso que é essa a essência de minha inspiração: paixão.

                                                  

CVSI: Fale um pouco do processo de reciclagem/transformação e seus benefícios. Qual sua opinião sobre o assunto?

Paulo: O que faço não é propriamente reciclagem e sim reaproveitamento. Há uma grande confusão na cabeça das pessoas sobre o assunto hoje em dia (se pensarmos em termos planetários). Reciclar é devolver o material ao seu ciclo inicial.

Tudo que é extraído da terra deveria ter um ciclo contínuo sobre ela para evitar mais exploração, uma garrafa pet deve voltar a ser outra garrafa pet, tudo que desvia o material de seu ciclo pode ser até politicamente correto, mas dependendo do material pode ser perigoso.

O ferro é um dos minerais mais abundantes no planeta, não sendo impactante o seu reaproveitamento,  já com  o alumínio por exemplo, não consigo  ver sentido em transformar 1000 latinhas em um objeto de decoração e forçar a exploração de mais bauxita para a produção de mais alumínio, cujo processo é sabidamente prejudicial ao meio ambiente, além de consumir muita energia elétrica. Cada material tem que ser visto de forma diferente,  levando-se em conta sua raridade, custo de produção e exploração, danos ambientais, etc…

CVSI: Você sente/acredita que a criatividade, a imaginação, a inovação – inclusive aplicados à reciclagem e transformação – são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?

Paulo: Criar é reinventar o mundo. Sem criação estaríamos nas cavernas ainda, aliás, foi um ser criativo que entendeu que numa caverna seria mais seguro para se viver, não? A base evolutiva do ser humano é a criação e a arte é quem dá sempre os primeiros sinais de qualquer mudança do comportamento humano.

A reciclagem é uma tendência cultural. Há um ditado popular que diz que tem gente não sai do lugar enquanto a água não bate na bunda né? Rsrs… Por enquanto a água ainda está nos pés e só os mais visionários estão se manifestando, mas já há um início de revolução nisso. Difícil nosso sistema econômico assimilar mudança tão radical a curto prazo, mas a tendência é valorizar cada vez mais o que já está sobre o planeta.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do Como Você se Inspira de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por consequência, o enriquecimento de nossa existência?

Paulo: Primeiramente gostaria de agradecer a oportunidade de mostrar meu trabalho e falar um pouco sobre o que penso. Acho a iniciativa de vocês maravilhosa, conhecer um pouco mais sobre o processo de criação de vários artistas, cada um com sua peculiaridade só faz fomentar a criatividade e sua aplicação da vida cotidiana. Grato.

            

Para saber mais sobre o trabalho do Paulo, clique aqui.

Paulo, obrigada pelo lindo Bate Papo! Feliz 2010!

artistaA Vivi é uma artista especial, que cria com muita harmonia e que nos dá o prazer deste Bate Papo. Passem pela deliciosa experiência de entrar um pouco na história de Vivi Hack e conhecer suas idéias sobre a vida, seu trabalho, sua arte…Sabemos que vão adorar!

 

CVSI: Vivi, sabemos que você é uma artista de mão cheia e que cria com charme e harmonia, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é a Vivi?

Vivi: Meu estilo de vida é muito simples. Sou caseira, curto decoração, filmes e amo música. Definitivamente a música é essencial na minha vida e tem o poder de melhorar meu humor a qualquer momento. Gosto de imaginar que um belo dia largarei tudo e sairei pelo mundo em busca de novas experiências, mas até lá, procuro estar atenta às possibilidades, explorando novos caminhos e me apaixonando por diversas formas de expressão, sempre em busca de algo que propicie uma simbiose entre meu trabalho e meu estilo de vida.

bate papo

CVSI: Como, quando e onde surgiu o Mercado Imaginário? O que se passava em sua vida naquele momento?

Vivi: Em janeiro de 2005 eu criei o blog Maria Cartolina onde expunha meus trabalhos de design, projetos acadêmicos e experimentais. Entre os trabalhos, se destacavam as costuras que comecei a desenvolver quando resolvi aproveitar alguns tecidos lindos que havia comprado por impulso.

Lembro de quando levei minha primeira coleção de “nécessaires” com 40 peças para a agência onde trabalhava. Não demorou muito para que praticamente todas fossem vendidas e ainda voltei para casa com algumas encomendas.

Passei um longo período conciliando o trabalho como designer e o hobby de crafter, até que em junho de 2006 quando estava concluindo a faculdade de desenho industrial, resolvi sair da agência onde estava há cinco anos para me dedicar exclusivamente ao projeto final, que se tratava exatamente da criação da marca e desenvolvimento da identidade visual do Mercado Imaginário, com direito a uma coleção de bolsas, catálogo de lançamento, kit de divulgação, site, entre outras peças.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos para o Mi.

Vivi: O [mi] está em constante mudança, basicamente porque gosto de novidades, e a marca de certa forma acaba mostrando um paralelo com as minhas transformações pessoais. Também não me prendo a planejamentos muito rígidos ou extensos, pois acho importante que as coisas evoluam no mesmo ritmo em que as idéias ganham vida. Sempre tive, por exemplo, vontade de desenvolver peças de decoração, e já fiz almofadas e caixas para o Mercado Imaginário, mas por me interessar bastante pelo tema, sei que ainda tenho muito mais a explorar nesse sentido.

Também tenho planos de desenvolver uma linha definitiva, composta por produtos que estejam sempre disponíveis no site. E o desafio é justamente fazer isso sem perder a originalidade e a essência da marca, pois hoje todas as criações do [mi] ainda são produzidas em edições limitadíssimas, e por isso a maior parte das peças fica disponível na loja por um período muito curto.

decoração

CVSI: Como você se inspira para estimular sua criatividade?

Vivi: Não tenho uma metodologia definida, mas o ato de observar é essencial. Por isso estou sempre buscando enriquecer o que chamo de banco sensorial. Seja através de filmes, músicas, artes gráficas, diferentes hábitos e culturas ou simplesmente observando as sensações do cotidiano.

Sob o aspecto prático, concordo que a criatividade é 90% transpiração. A idéia pode partir de um rabisco, de uma necessidade, de um desejo ou mesmo de um universo imaginário com o qual eu esteja envolvida no momento. Mas por melhor que uma idéia possa parecer, ela é apenas uma semente, e você pode ter várias idéias aparentemente muito originais, mas ela só se mostra verdadeiramente criativa depois de sobreviver à fase de estudos, testes e adaptações.

Por isso, acredito que colocar a mão na massa ainda é a melhor maneira de descartar os devaneios e ter a oportunidade de descobrir novas possibilidades que geralmente são inimagináveis na etapa inicial da criação.

CVSI: Você sente/acredita que a criatividade, a imaginação, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?

Vivi: Quando alguém visa o lucro acima de todas as outras coisas, ele se torna autodestrutivo. E isso se mostra evidente em cada esfera produtiva: desde o artesão ou crafter que copia uma marca (e vice-versa) até o empresário que apela para a mão de obra barata/escrava, passando pela publicidade enganosa.

Por outro lado, se existem respeito e troca na relação com o consumidor, fornecedores, colaboradores, enfim, com toda a rede que viabiliza a cadeia produtiva, todos saem ganhando. Muita gente já percebeu isso e muitas empresas já aderiram o Fair Trade. Acredito sim, que este seja o melhor (senão o único) caminho para que o mundo passe a se desenvolver de forma verdadeiramente sustentável.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do Como Você se Inspira de ser um espaço aberto para agregar e promover pessoas que expressam sua criatividade através da conexão com suas verdades – acreditando que assim, contribuiremos o enriquecimento de nossa existência?

Vivi: As pessoas estão cansadas das produções em série, das padronizações, do consumo massificado e estão buscando o autoconhecimento e a satisfação pessoal em coisas simples, procurando se conectar com seus desejos reais, desenvolvendo habilidades e valorizando a individualidade, seja no consumo ou nas suas atividades.

Acho essencial que existam canais antenados que exponham e que ajudem a divulgar a experiência dessas pessoas. Hoje, através da internet, e em parte devido a ela, existe um grupo de artistas, crafters e adeptos do DIY (Do it yourself / Faça você mesmo) que não pára de crescer no mundo todo.

Divulgar e ampliar esse movimento fomenta uma nova postura que é importante não só para quem produz, mas também para quem consome, proporcionando um ganho imenso para as pessoas, para as relações entre elas e conseqüentemente para o Planeta.

Comentários Extras e Sugestões:

Vivi: Parabéns pela iniciativa e pelo conteúdo. Agradeço a oportunidade e desejo vida longa ao site!

Obrigada Vivi!! Para conhecer mais o trabalho da Vivi e as novidades do MI, clique aqui.

Adoro os posts de Corinne Gill, ainda mais os que ela fala de inspiração, claro… e lendo seu breve comentário sobre uma viagem à costa sul da Irlanda achei legal dividí-lo com vocês.

Como ela mesma diz, se fosse uma designer têxtil, usaria as imagens da natureza que viu como estampas de uma coleção de verão. Irlanda images

Irlanda images 2

O mágico da inspiração é isso, ela pode acontecer em qualquer lugar, em qualquer momento desde que estejamos conectados com nossa energia de criar, de realizar, de fazer. Irlanda images 3

Irlanda images 4

Basta um olhar honesto para dentro… inspire-se!