Participamos ontem, 11 de Agosto de 2009, do Sarau Carta Cultural Ibero-Americana do Crie Futuros, que aconteceu no Espaço Enthusiasmo, com coordenação de Lala Deheinzelin.
O Crie Futuros é um movimento transdiciplinar semeador de imagens de futuros desejáveis para motivar, orientar escolhas e inspirar inovação.
A Carta Cultural Ibero-Americana é um compromisso, assinado por governos de alguns países, que afirma a centralidade da cultura para o desenvolvimento.
O Sarau é um espaço temático, informal e divertido. Através de uma vivência lúdica com atividades de convívio e criação coletiva, fizemos um exercício de pensar em um futuro desejável com liberdade de sonhar – e foi simplesmente fascinante perceber que, ao nos entregarmos a esse convite, muitas idéias positivas brotaram ali.
A partir daí, cada um contribuiu com sua inspiração e criatividade e desejou um futuro para os temas disponíveis.
O valor desse exercício veio de encontro com o que acredita o projeto CVSI: Para um futuro desejável acontecer é necessário que nos inspiremos e que estejamos livres e conectados para criar e inovar.
Ontem fizemos exatamente isso, nos conectamos com nossa inspiração e criamos. Foi uma experiência nova e intensa e, por isso, gostaríamos de convidar você – leitor tão apaixonado quanto nós por inspiração, criação e inovação – a fazer esse mesmo exercício. Acreditamos ser valioso e enriquecedor.
Arrisque-se, dedique sua inspiração para criar seu futuro desejável e divirta-se com isso.
Conforme nos instrui o movimento Crie Futuros, “Imagine que tudo é possível. Magicamente, tudo pode ser como você sonha. Não se prenda ao presente, ao que é possível ou plausível. Ouse pensar no desejável.
Caso queira compartilhar suas idéias com o CVSI, as envie em forma de comentário e vamos criar um futuro desejável com várias mãos.
Para conhecer melhor o movimento Crie Futuros e/ou se tornar um membro, clique aqui.
Para inaugurar nosso espaço dedicado ao “Terceiro Setor que Inspira”, elegemos o projeto Arte Criola, da ONG Criola, que tem logo na logomarca a sua missão estampada: mulheres negras, direito, trabalho e desenvolvimento.
O Arte Criola visa unir talentosos produtores que têm como influência a arte afro-brasileira e, junto com o setor privado, melhorar as técnicas de produção e venda.
Além disso, leva às produtoras de artesanato o entendimento das regras empresariais de administração e distribuição o que dará autonomia para que qualifiquem e aprimorem suas próprias produções.
O projeto foca em potencializar e destacar os pontos fortes de cada artesão, juntando diferentes produtos artesanais, os quais misturam histórias de vida, condição social e gênero. É uma oportunidade “abrir os olhos” do segmento no que diz respeito à responsabilidade social das empresas, trazendo-as mais perto das mulheres negras como público potencial de suas ações.
Um exemplo foi a artesã Jandira da costa Lage que vendeu para a loja Totem, no Rio de janeiro, uma coleção inteira de bolsas, cerca de 300 peças. 
A artesã conta que para que peças de artesanato conquistem o mercado é preciso unir criatividade com técnica e excelente acabamento. Já para a loja Totem, que só trabalha com peças exclusivas, um cartão anuncia a parceria de sucesso (foto): “Logo que vimos à coleção de bolsas com inspiração africana e com bandeiras do Brasil nos encantamos e quisemos tê-las nas lojas”, conta a gerente de estilo da Totem, Renata Joca.
“Esta é a primeira vez que a empresa realiza este tipo de parceria . Estas bolsas, sem dúvida, têm um valor especial agregado, por serem fruto do trabalho de mulheres negras que lutam contra o racismo, a homofobia e a discriminação. Ter feito esta parceria nos possibilitou, além de obtermos um produto artesanal, com um resultado visual riquíssimo, ajudar socialmente um grupo através de seu trabalho”, afirmou.

Esse case é uma ilustração de como a criatividade pode contribuir com a economia e vice versa e dessa maneira formalizarmos a Economia Criativa Brasileira.
Parabéns para a Totem, para Jandira da Costa Lage, para a ONG Criola e todos os idealizadores do projeto Arte Criola.
O primeiro bate-papo inspirado do Como Você se Inspira é com Marina Vargas, do blog Ma. Coisinha.
Marina realiza um trabalho incrível de encadernação manual, extremamente inspirador e que expressa sua linguagem criativa de maneira muito transparente. Enjoy it!
CVSI: Sabemos que é uma apaixonada por papéis, e que une essa paixão aos tecidos para criar, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é a Marina?
Marina: Marina nasceu em São Paulo em 23 de maio de 1984 e, por nascimento, é geminiana de vez em quando (quando convém acreditar no que os astros dizem, sabe como?). Hoje ela mora em Florianópolis, mas pretende voltar em breve para Ribeirão Preto, onde deixou a mãe, a cachorra, amigos e, agora, um ex-namorado. Marina acredita que é mais importante apegar-se às pequenas coisas que viver no mundo frenético que nos empurram através da TV. Ela quer ter uma casa pequena com um ipê na frente, uma boa companhia para as experiências gastronômicas e afazeres criativos para ficar sã (e garantir a vida assim, se for possível).
CVSI: Como, quando e onde surgiu a Ma. Coisinha? O que se passava em sua vida naquele momento?
Marina: Sempre vi muito de minha mãe em minha vida e nos meus gostos. O nome Mª. Coisinha veio dela que, no meio de seus surtos de esquecimento, chamava as pessoas assim. Ela também emprega verbos como “coisar” quando não se lembra do termo específico que precisa. Achei que nada melhor para homenageá-la (e brincar com a cara dela).
A Mª. Coisinha surgiu depois de anos de adoração aos papéis e quase um ano tentando fazer livros (primeiro comecei com os de espiral, mais fáceis mas não tão encantadores). Depois, como num passe de mágica, uma oficina de encadernação apareceu na cidade e aí, junto com muita pesquisa, fui descobrindo como fazer o que há tanto tempo me encantava. Tem horas em que as peças parecem se juntar, né?
No momento em que passei a usar o nome e a fazer e publicar meus livros, minha mãe tinha um ateliê/loja/escola de patchwork e vê-la respirar essa possibilidade de colocar algo que dá tanto prazer pra ela como fonte de renda me fez apostar em mim mesma e no que eu tenho gosto de fazer.
CVSI: O que você faz para se conectar com sua inspiração, ou seja, como você se inspira? E como transforma sua inspiração em produto?
Marina: Acho que pra qualquer pessoa que faça um trabalho criativo, é necessária uma dose de humildade e admiração por quem já trilhou o mesmo caminho na mesma arte. Saí procurando pessoas e trabalhos de encadernação, informações sobre técnicas diferentes, materiais e a perceber qual era a “cara” de cada artista.
Além desse embasamento, acho que a própria vida vai encaminhando as coisas… Os momentos de lazer e de pesquisa acabam se refletindo nos gostos e os gostos nos materiais… Uma música pode influenciar uma fotografia, um filme pode influenciar uma pintura e por aí vai.
Não sei se me faço entender com esta resposta, mas acho que é basicamente isso mesmo: nossas vidas se transformam em referências.
CVSI: Como escolhe os materiais que vai usar? Existe algum ritual para isso?
Como trabalho com encadernação (e outras coisinhas mais, mas vou focar-me nos livros), papel passa a ser uma premissa. As capas em tecido garantem uma textura diferente entre o que protege e o que é utilizado (miolo), além de possibilitar uma série de manejos e alterações: bordados, costuras, emendas, aplicações, pintura e por aí vai.
Quando não faço livros em série, com materiais que já tenho ou para ver logo uma ideia sair da cabeça e ficar pronta, costumo perguntar pro cliente qual sua cor favorita, se tem preferência por cor de folha, quantidade de páginas e outros detalhes. Faço isso para que o trabalho fique com o jeito de quem vai usar e que a pessoa tenha tanto prazer em aproveitar o livro como eu tenho em confeccioná-lo.

CVSI: Você sente/acredita que a criatividade, a imaginação, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver?
Marina: Acho que criatividade e imaginação levam à inovação… e que estes três elementos são mais do que caminhos para este “desenvolvimento” que costumamos ouvir por aí.
Acredito que levam a um desenvolvimento de alegria, de encontro consigo mesmo, de planejamento, realização. Permitem que as pessoas entrem em contato com atividades lúdicas, coloquem para fora o que são, criando assim uma nova maneira de comunicar.
Sou super entusiasta de “terapias” alternativas e válvulas de escape para o dia-a-dia insano que a maioria das pessoas têm. Acho que os trabalhos manuais estão voltando com tudo porque mais gente concorda comigo! Hahaha…
Enquanto é difícil chutar o balde corporativo, as pessoas que pegam no pé, as meras obrigações e tudo o que fazemos “porque assim tem que ser”, reservar um tempo (ou dois) para atividades realmente escolhidas por nós já demonstra como queremos outra qualidade de vida e indica os caminhos pelos quais podemos nos aventurar para mudar as situações que nos chateiam.
FIM.
À Marina, nosso muito obrigado pela colaboração, energia positiva, flexibilidade e principalmente pela inspiração. Que trabalho lindoooo e inspirado!
Para ver o trabalho de Marina, visite Ma Coisinha