WOW! Que delícia de conversa foi essa com o Edu… Uma trajetória de deixar qualquer um com vontade de criar, encontrar seu talento criativo, explorá-lo … e fazer arte. Como ele mesmo diz, ”a arte tem a capacidade de inspirar a todos porque ela se conecta profundamente com o indivíduo e pode transformá-lo por dentro.” Tive o prazer de conhecer o trabalho do Edu através de sua esposa, Lili, e fico feliz de poder mostrar para vocês um pouco sobre essa incrível descoberta… basta se conectar!
CVSI: Edu, sabemos que você é designer e animador e que desenha profissionalmente desde os anos 90 – com passagens por renomadas produtoras brasileiras. Mas fale mais sobre você, quem é o Edu?
Edu: Sou da chamada Old School, do lápis sobre papel. Gosto de pintar com tintas, riscar com grafites, crayons, carvões, pastéis, experimentar texturas de papéis, animar flipando folhas no disco sobre o backligth. Mas também amo tecnologia, ferramentas digitais, vetores, pixels, tweens e códigos.
Nasci em um mundo sem Google. Buscava imagens em bancas de jornal, livrarias, sebos e bibliotecas. Estudei vídeos de animação e revistas em quadrinhos, livros ilustrados, fascículos didáticos, livros de arte. Pesquisava o mercado em catálogos e revistas especializadas.
Por sorte, tive acesso a ricos acervos de produtoras com vídeos de festivais do mundo inteiro e livros raros. Fui orientado por excelentes diretores-professores, pioneiros da animação brasileira. Trocava informações com amigos que trabalhavam fora do Brasil, fazia freelas para a Europa via FedEx.
Freqüentava galerias de arte e museus para desenhar. Minhas redes sociais eram a escola, oficinas de desenho e modelo vivo, círculos de amigos profissionais. Estudava e desenhava sem parar. Amo muito essa época de transição da era analógica para a digital. Com a internet me aprofundo em níveis antes impensáveis tanto em técnica de desenho quanto em pesquisas teóricas. Mas a obsessão é a mesma de sempre.
Sou apaixonado pela minha família, pai de uma menina linda de quase 4 aninhos que exerce total influência sobre minha arte através de seus comentários e desenhos.

luisa-e-eu
CVSI: Quando, onde e como sua carreira artística começou? O que se passava em sua vida naquele momento?
Edu: Desenho desde criança e logo cedo levei minha pasta de desenhos para as editoras, agências de publicidade, produtoras de animação e cartunistas. Ouvi muitas opiniões de diversos profissionais. Fui montando meu portfólio amador até conseguir meu primeiro emprego como assistente de arte aos 15 anos. Caminhava para uma carreira em artes gráficas quando aos 18 decidi mergulhar de cabeça no mercado de animação.
Apresentei meus desenhos para o pioneiro da animação publicitária brasileira Daniel Messias em São Paulo e passei a integrar sua equipe. Foi aí que começou minha formação profissional. Durante vários anos trabalhei passando por todos os processos de criação e produção: roteiro, storyboard, layout, animação, filmagem, sonorização, finalização. Mas mantive sempre o foco no desenho de personagens, concept e animação.

Tubeland Popeye
CVSI: Por favor, fale um pouco sobre seus trabalhos e seu estilo e, também, quais são seus projetos e planos para o futuro?
Edu: Meu portfólio On Demand (souzacampus.com/ondemand) é uma coleção de personagens, layouts e animações. Mas além de trabalhar sob demanda para o mercado de publicidade e web, também desenvolvo minha criação pessoal como blogs, paper-toys, stickers, curtas, animação, objetos, intervenções urbanas, sempre relacionadas com o desenho da figura humana.

On Demand
Estudo a história das imagens e tento compreender como se dá o processo de formação de nosso banco de imagens mentais e como essas imagens interferem em nosso comportamento. Sou um antroponauta que navega em universos mentais buscando compreender o mundo através dos olhos dos outros.
Através de meus blogs exponho meu processo de trabalho e publico o progresso de meus projetos gráficos e animações.

Antroponauta Crânios 06
A série Antroponauta (souzacampus.com/antroponauta) reúne desenhos e animações em linha-contínua baseados na anatomia humana. Tubeland (souzacampus.com/tubeland) é um universo de personagens da cultura pop em forma de tubos disponíveis no blog como paper toys. São Paulo Multiverso (souzacampus.com/saopaulomultiverso) são cartuns sobre a cidade. Todos são projetos em desenvolvimento contínuo. São obras que levam em conta não só o resultado final, mas também seu próprio processo de desenvolvimento.

Antroponauta Árvore
CVSI: Claro que também queremos saber Como Você se Inspira para criar esta arte tão expressiva e cheia de emoção…
Edu: Amo os clássicos. Figuras históricas e suas obras que influenciaram a humanidade através da Arte, Filosofia e Ciência me inspiram imensamente. Sou fascinado por obras monumentais que representam civilizações antigas como a grega, egípcia, romana, maia, inca, construídas com o objetivo de decodificar o movimento dos astros e da natureza a partir da observação, padrões geométricos e construções matemáticas.
E viva as lindas figuras de Botticelli, os estudos anatômicos de Leonardo, a solidez de Michelangelo, o coletivo de Bosh, a composição de David, a desconstrução de Picasso, os recortes de Matisse.
O cartum clássico das décadas de 20 a 50. A era de ouro da animação americana, os grandes personagens dos Fleischers, Paul Terry, Walt Disney, Walter Lantz, Tex Avery, Bob Clampett, Chuck Jones, Willian Hanna, Joseph Barbera, UPA studios. O cinema de Chaplin, Hitchcock, Jack Tati, Truffaut, Felini, Kubrick, Lynch, Tim Burton.
Na hora de trabalhar, muita música para ajudar na imersão, sempre relacionada com o trabalho. Muito jazz e clássico, bossa e samba, black e soul.
A genialidade do ser humano me inspira. As pessoas que amo me inspiram porque elas dão sentido a tudo o que faço.

Multiverso Calçada
CVSI: Qual você acredita ser a relação entre a arte, o inovar com criatividade e sustentabilidade? Como a criatividade pode contribuir para um planeta melhor?
Edu: A humanidade sempre trabalhou para melhorar o ambiente à sua volta de modo a prolongar sua própria sobrevivência, mas essa dominação nos levou a transformar o planeta de uma maneira desequilibrada, jamais imaginada. Nunca tivemos tanta consciência global como agora. Cabe a todos transformar o mundo com consciência e equilíbrio.
A arte tem a capacidade de inspirar a todos porque ela se conecta profundamente com o indivíduo e pode transformá-lo por dentro. Ela quebra paradigmas, apresenta perspectivas únicas sobre o mundo. A criatividade deve ser usada não mais a serviço da dominação, mas para compartilhar simplicidade. O que é bom para o planeta, é bom para o indivíduo.

Série Tubeland Exposição
Obrigada Edu! Para quem quiser dar aquela espiada na variedade enorme de criações do Edu, clique aqui! E, abaixo, mais imagens sensacionais…Enjoy!

Antroponauta Borboleta e Rosa

Antroponauta Black


Tubeland Mostra

Tubeland Paper Toys

Conheci o trabalho do Silvio através da indicação de um outro artista especial, que já entrevistamos, o Paulo Toledo (obrigada Paulo!!). Além de descrobir a arte incrível do Silvio - uma arte que além de encantar, conscientiza - descobri a pessoa maravilhosa, vencedora, sensível e a favor de um mundo melhor que ele é. Através de nossa conversa, abaixo, você poderá entender melhor o que eu quero dizer… e aproveitar para se inspirar e se conectar consigo mesmo. Correee…

Verde
CVSI: Silvio, sabemos que você é um artista plástico muito criativo, que se dedica à colagem desde 1989, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Silvio?
Silvio: Essencialmente… Sou um cara que ama o que faz! Tenho 43 anos, autodidata. Nasci em São Paulo e há 12 anos resido na estância turística de Joanópolis, a 100 km da capital.
Hoje, com minha inseparável tesoura, recorto milhares de figuras e sigo em frente, tentando construir um novo mundo, um mundo melhor um mundo todo meu: mágico e surreal. Digamos que eu me veja como um Dom Quixote “arteiro”.

A Árvore
CVSI: Como, quando e onde a arte surgiu em sua vida?
Silvio: Trabalhei muitos anos na área de eventos até ser surpreendido por uma depressão. Levei muito tempo para entender o que estava acontecendo comigo, até que a arte surgiu intuitivamente como um caminho, uma razão para reviver.
Até então, jamais havia demonstrado qualquer aptidão para as artes plásticas. Hoje sei que, mesmo sem querer, empreguei a arte-terapia para conseguir extravasar meus sentimentos e poder seguir em frente em minha jornada. A arte foi essencial no meu processo de auto-conhecimento.

O Jovem Arlequim
CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?
Silvio: Hoje percebo que a minha arte pode um pouco mais do que a princípio havia imaginado. Em tempos de aquecimento global, tenho constatado que a arte da colagem pode atuar como importante instrumento de conscientização, muito mais eficaz, por exemplo, do que longos sermões a respeito da devastação do Planeta.
A colagem transmite algo fundamental… que para revertermos esta situação, precisamos, acima de tudo, reciclar, reciclar, reciclar… Reciclar materiais, idéias, sentimentos. Consigo ver, justamente, o meu trabalho atuando positivamente junto à coletividade como instrumento de conscientização.

A Ilha
CVSI: Suas criações são super criativas e deixam um gostinho de quero mais… Como você se inspira para criá-las?
Silvio: Obrigado, que bom que você conseguiu ver tudo isso no meu trabalho. Eu procuro estar bem para que as idéias fluam. Quando consigo isso, as idéias centrais dos quadros vêm praticamente prontas em minha mente. Depois vou adaptando conforme vou encontrando as imagens nas revistas. Arranco páginas e mais páginas de revistas, separo por categoria e depois recorto conforme a necessidade.
A inspiração vem sobretudo das pessoas que estão à minha volta, incluindo eu mesmo. Aprecio a idéia de tentar retratar a essência do ser humano e das transformações provocadas quando em contato com o mundo, com nossas necessidades consumistas.
Gosto muito de falar da solidão em meio à multidão, dos sonhos, da utopia necessária à sobrevivência. Gosto, também, de falar da tristeza, mas da tristeza que resgata e que faz pensar e reagir.

Senhor do Lixo
CVSI: Qual você acredita ser a relação entre o criar, o inovar e sustentabilidade? Como a criatividade pode contribuir para um planeta melhor?
Silvio: O criar com colagem, por exemplo, invoca ao reaproveitamento. E esta é a essência de um mundo sustentável!
Comentários Extras:
Silvio: O ponto-chave para o meu despertar ecológico foi ter conhecido Dona Nêga, uma senhora de 70 anos, natural aqui da cidade em que hoje resido, Joanópolis – SP. Dona Nêga complementa sua aposentadoria recolhendo papelão, revistas e outros materiais para vendê-los à reciclagem. Tudo o que sobra de minha produção vai para ela. Vê-la com o vigor de um jovem de 18 anos, conseguir alterar toda uma realidade de vida difícil a partir da reciclagem, fez-me pensar muito. Se ela, sozinha, pode… Por que o Mundo não pode?
Para conhecer mais o trabalho do Silvio e apreciar suas criações maravilhosas, visite o site ou o flickr!
Silvio, obrigada pela oportunidade e muito sucesso sempre! CVSI
Quando vi a foto das borboletas no teto de uma loja Dior, fiquei tão apaixonada que pensei…vou entrevistar o artista que criou isso (…e deu certo, direto da Itália!!!). Descobri o Andrea assim. E além das borboletas, descobri uma arte sedutora, ousada, interativa, viva que me transformou em apreciadora dela em um segundo. Acredito que acontecerá algo similar com você…prove e depois conte para a gente…

9000 Papillons Dior Royale Paris
CVSI: Andrea, sabemos que você nasceu em Bérgamo/Itália e que vive entre Bérgamo e Nova Iorque, criando e expondo sua arte irresistível. Mas fale mais sobre você, quem é o Andrea?
Andrea: Bom, Freddie Mercury cantou uma vez: “I am just a singer with a song” (“Sou apenas um cantor com uma canção”). Eu poderia usar as palavras dele e dizer que eu sou apenas um artista com um cortador ou pincel ou com uma idéia. Idéias aparecem a qualquer momento durante o dia, então temos que estar atentos para captá-las, seja lá o que você estiver fazendo: brincando e rindo com os amigos, indo à missa, ouvindo um bom heavy metal, tocando com sua banda, fazendo amor com sua namorada/o, gritando por um gol em um estádio ou mesmo no banheiro…

La Bonne Nouvelle – Paris
CVSI: Quando, onde e como sua carreira artística começou? O que acontecia em sua vida naquele momento?
Andrea: Eu comecei estudando artes na Academia de Belas Artes de Bérgamo, em 1997, depois de uma aposta com meu melhor amigo Zizi. Tínhamos acabado o Ensino Médio e não tínhamos a mínima idéia do melhor a fazer. Pensei que, depois de ter criado – durante a escola – dúzias de newsletters, revistas e calendários pornográficos, seria interessante tentar entrar na Academia de Belas Artes. Meu amigo preferiu Cinema. Bem, eu ainda estou esperando ele terminar a Universidade para começarmos a idealizar um grande filme juntos.
De qualquer maneira, terminei meus estudos em 2002 e comecei a trabalhar em galerias com dois grupos, um sobre pornografia, chamado “Love” e outro chamado “Italian Boys”, na Galeria Analix Forever em Genebra.
Como um artista jovem e um homem jovem, cometi muitos erros, eu sei, trabalhando muitas vezes em várias direções e para muitos (e às vezes inúteis) projetos ao mesmo tempo. Mas, por ignorância, cometemos erros e com os erros aprendemos, e isso é algo que sempre me guia em tudo o que faço. Devemos sempre tentar fazer alguma coisa que não sabemos e que não nos achamos capazes de fazer. Algo novo…

Non ci resta che piangere NY
CVSI: Por favor, fale dos seus projetos e planos para o futuro. Alguma chance de expor no Brasil?
Andrea: Uh, eu amaria expor no Brasil!!
Eu amo seu país desde que era um bebê e meu jogador de futebol preferido era o Aparecido Paulino Evair do Atlanta! Eu sei que vocês têm grandes galerias, museus e artistas no Brasil e seria maravilhoso poder mostrar meu trabalho, minhas idéias por aí.
Neste momento estou preparando um show solo em Nova Iorque para março e logo depois farei parte de um grupo que irá expor na Bélgica. Meu próximo objetivo é atingir todos os públicos com minha arte, não só o público que curte arte. Quero fazer isso usando mídias e caminhos diferentes como livros, televisão, cinema… Por isso, sempre tento criar trabalhos com muitas linhas de interpretação, ou seja, cada um pode ver alguma coisa diferente em um trabalho artístico e quanto mais você estiver envolvido no mundo das artes, no sistema das artes, mais você pode apreciar e criticar.

Kris Van Assche 2009 – Autumn/Winter Campaign
CVSI: Sua arte é muito charmosa, viva e sedutora. Como você se inspira para criar?
Andrea: Bem, como havia dito na primeira questão, eu realmente não sei como isso acontece. Temos que estar sempre receptivos ao que rola ao nosso redor. E, obviamente, temos que querer saber muitas coisas, ler, ler, ler, estudar ver shows, conversar com outros artistas e, ás vezes, re-interpretar alguma idéia já existente dando à elas uma cara nova e pessoal.


Love is a four-letter word NY
CVSI: Como você acredita que a arte colabora/pode colaborar mais para enriquecer nossa existência e fazer deste mundo um planeta melhor para se viver?
Andrea: Platão disse que nós, artistas, somos inúteis em um mundo perfeito. Claro, se o mundo fosse perfeito a arte seria inútil. É por isso que precisamos da arte e de todas as coisas que vêm do coração e da mente (algo superior, claro) para criar um lugar melhor para vivermos. Mesmo que isso possa parecer “dar murro em ponta de faca”…


Procriation of the Gods Geneva
Para ver mais maravilhas deste artista tão talentoso, viste o site www.andreamastrovito.com
Obrigado Andrea e boa viagem à Nova Iorque! Te esperamos aqui no Brasil…
Gente… simplismente genial é como eu descrevo o trabalho da designer Dani Hasse!
Seu estilo versátil, criativo, de bom gosto e ousado invade e preenche nossa alma com muitooo prazer…adoro suas criações, de A a Z!! E adorei o tom de nossa conversa. Tenho certeza que vocês sentirão o mesmo…
OBRIGADO DANI!!
CVSI: Dani, sabemos que você é uma designer carioca que mora em São Paulo, que quando criança fazia desenhos para a mãe e que há uns quatro anos se dedica a fazer estampas, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é a Dani Hasse?
Dani: Eu sou uma pessoa tímida, reservada, que às vezes acha que prefere a companhia dos gatos à dos seres humanos. Sou tão obcecada por música quanto qualquer indivíduo da nossa era, já tive bandas e ainda canto muito bem em dueto imaginário com o Stephen Merritt. Faz tanto tempo que eu troquei as palavras pelas imagens que eu já nem consigo mais lembrar de quando isso aconteceu, e hoje em dia eu sou mais feliz por ter assumido a minha introspecção.

CVSI: Como, quando e onde se descobriu como designer?
Dani: Eu sempre desenhei, desde pequena, em qualquer pedaço de papel que me dessem. Mas esse trabalho sempre ficava dentro das minhas gavetas – no máximo os amigos viam, ou às vezes ia parar na capa de uma coletânea gravada em fita cassete de presente para alguém. Em 2005 eu soube que havia uma vaga de designer na Colcci, que fica em Brusque, há alguns quilômetros de Blumenau, cidade onde eu morava. Passei no teste com meu fichário de desenhos e virei designer da noite para o dia, aprendendo boa parte das técnicas na raça e no dia a dia.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?
Dani: Eu não faço a menor ideia – não sabia nem que eu iria chegar tão longe. Acho que tenho que deixar a vida fluir, e como o flow está bom, vamos ver onde é que as coisas vão parar.

CVSI: Suas criações são delicadas e versáteis. Como você se inspira para criá-las?
Dani: As ideias vêm de vários cantos, eu nem sei identificar de onde. Às vezes elas pipocam sozinhas, às vezes uma música ajuda, às vezes o meu marido me dá um insight e eu o transformo em imagens. Tem vezes que o conceito demora semanas para vir e outras ele aparece tão fortemente que eu tenho que fazer na mesma noite, senão não consigo nem dormir. Na verdade é bem perturbador.

CVSI: Você sente/acredita que a inspiração, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum?
Dani: Bom, se as inovações não nos tirarem do lugar comum, quem vai nos tirar? Creio que ainda temos uma dependência psicológica do “grande insight” que vai mudar a humanidade – isso é besteira. O conhecimento, num plano científico, é uma construção social, que necessita do trabalho de diferentes indivíduos. Então, em certas áreas, dependemos de muito esforço e de pequenos insights que, somados, dão um sentido maior a isso tudo. No campo das artes a questão é diferente, e apesar de estarmos com o peso dos séculos sobre as nossas costas com a sensação constante de que “tudo já foi feito”, ainda existe muito espaço para que a inovação subverta os lugares-comuns – mas, claro, devemos lembrar que o lugar comum de hoje já foi a grande ideia do passado.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por conseqüência, o enriquecimento de nossa existência?
Dani: Creio que a conexão do indivíduo com a sua verdade só vai ser respondida, no final, pelo próprio indivíduo. Atalhos e mapas são louváveis, mas em uma jornada cega como essa, a estrada se faz no caminhar. Pode ser que encontremos nossa inspiração, nossa verdade, muito mais perto de nós mesmos do que num blog, num livro, ou numa conversa – ela pode estar no miado insistente do seu gato, na mancha de café no fundo de uma xícara ou numa frase desafinada ouvida de uma maneira diferente quando aquela música que você gosta toca pela décima vez no repeat. Sei que isso pode parecer esvaziar qualquer esforço no sentido de orientar a própria busca, mas convenhamos, as chances de se encontrar tanto aquilo que se procura quanto aquilo que não se sabe que está sendo procurado são as mesmas.

Aqui mostramos alguns trabalhos da Dani, mas para conhecer mais
sobre as estampas, ilustrações e outros projetos da designer,
visite www.danielahasse.com
Bate Papo Adocicado com Luana Davidsohn

Sentimos um aroma especial no ar e demos de cara com essa arte de dar água na boca… Cupcakes maravilhosos e deliciosos, inspiração de Luana Davidsohn. Com uma história bem saborosa para contar, ela nos concedeu o prazer desta conversa… e estamos até agora lambendo os dedos!
CVSI: Luana, sabemos que você é Administradora por formação, autora de alguns livros e professora de culinária por opção, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é a Luana?
Luana: No começo da vida a gente pensa que tem que escolher o que quer ser para o resto da vida e ser feliz. Minha escolha inicial me deixou infeliz e demorei a perceber. fiz muitas coisas diferentes mas sempre tendo um lado criativo que teimava em se manifestar. Sou grata por ter podido vivenciar estas manifestações.
CVSI: Como, quando e onde a arte da culinária surgiu em sua vida?
Luana: Surgiu por volta dos 30 anos. Antes disto não ia para cozinha por nada. Era uma executiva estressada. Foi aparecendo uma vontade de entender como aqueles produtos podiam se transformar em algo delicioso. Joguei muita coisa fora até que algumas mágicas até bem gostosas começaram a acontecer.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?
Luana: Graças às intempéries da vida tenho procurado viver um dia de cada vez, coisa bem difícil. Não tenho projeto futuro fechado e planejado. O retorno do meu trabalho com os cupcakes – que se tornaram uma paixão – tem sido enorme e com eles pretendo continuar.

CVSI: Como você se inspira quando está transformando ingredientes em algo saboroso, como cita, ou preparando uma aula?
Luana: O que me inspira sempre é o prazer. Prazer de fazer, prazer de servir. Parece complicado mas pode ser bem simples se estivermos presentes naquilo que estamos fazendo. Pontos de inspiração podem ser também uma cor, uma forma, um sabor.

CVSI: Você sente/acredita que a inspiração, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum?
Luana: Todos estes ingredientes sempre fizeram o mundo sair do lugar. Ainda bem.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por conseqüência, o enriquecimento de nossa existência?
Luana: Acho ótimo um espaço onde as pessoas se conectem com as inspirações de outros e percebam como elas se relacionam com as suas. Enriquecer nossa existência é o que de melhor podemos fazer.

Para se encantar um pouco mais com essas delícias da Luana, visite www.luanadavidsohn.com.br
Obrigada Luana!!
O Brazil dá um show de criatividade e, no caso do designer Rodrigo Almeida - com quem conversamos um pouco aqui no CVSI – esse show ultrapassou as barreiras geográficas e, no momento, ele está expondo em Paris! Mais detalhes…só lendo nosso Bate Papo!

CVSI: Rodrigo, sabemos que você é um artista muito criativo, um designer especialista em re-design com experiência internacional, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Rodrigo?
Rodrigo _ Não me considero um especialista em re-design , a construção e descontração do objeto se dá em todas as manifestações artísticas e o reuso de matérias ou materiais é apenas um dos lados do meu trabalho. Sou basicamente um designer brasileiro obcecado pela cultura brasileira.
Não faço um trabalho inspirado no Brasil, sou brasileiro .

CVSI: Como, quando e onde a arte surgiu em sua vida?
Rodrigo_Quando criança achava que seria artista plástico, passei por vários suportes até descobrir o design.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?
Rodrigo_ Estou sendo muito bem recebido pela imprensa brasileira , mas são poucas as empresas brasileiras que trabalham com criação, sabem desenvolver produtos e pensam global, por isso minha carreira sempre acontece mais fora do Brasil.
Em um futuro próximo me vejo cada vez mais e mais dentro de um avião pra cumprir minha agenda fora do Brasil .
De 23 a 27 de janeiro participo da exposição Transcultures na Maison&Objet em Paris e de 3 de abril a 15 de maio estarei com minha exposição individual na galeria FAT, também em Paris .

CVSI: Suas criações são únicas e muito charmosas. Como você se inspira para criá-las?
Rodrigo_ Não trabalho com inspirações especificas, são muitas camadas de imagens que vão se acumulando e formando uma nova imagem que se concretiza em produtos comerciais ou não .

CVSI: Você sente/acredita que a inspiração, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?
Rodrigo_ A criatividade e inovação sempre foram atributos da industria ou pelo menos da industria inteligente, o desafio é fazer com que o bom desenho chegue a grande escala.
Estamos vivendo um momento de desmaterialização da industria e precisamos não só de produtos sustentáveis, mas de técnicas sustentáveis de produção .
No caso especifico da industria de mobiliário, o trabalho de pesquisa e desenvolvimento de projetos está muito interessante, o apoio da imprensa, museus, galerias e algumas empresas estão sendo fundamentais para alavancar as novas possibilidades de se pensar e produzir design.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por conseqüência, o enriquecimento de nossa existência?
Rodrigo_ É uma proposta bastante ambiciosa, mas necessária. Sempre me sinto seduzido pela idéia romântica de que podemos mudar o mundo, mas acho que pelo menos ao mundo que nos cerca é realmente possível gerar bem estar e criatividade .



Obrigada Rodrigo! E sucesso em Paris! O site do Rodrigo é www.rodrigoalmeidadesign.com
Bate Papo Estiloso com Kika Aidar, da Norità

Kika Aidar
Em semana de SPFW, trazemos uma entrevista com Kika Aidar, uma estilista incrível, alegre, alto astral que leva às alturas do sucesso a Norità. Um Bate Papo para perder a noção do tempo…Enjoy!
CVSI: Kika, sabemos que você é estilista e consultora de moda e que suas criações são encantadoras, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é a Kika?
Kika: A Kika é uma mulher tão alegre e contagiante quanto suas inspirações. Uma pessoa de personalidade forte, focada, trabalhadora, amável, educada e falante! Nascida em 15 de agosto de 1978, do signo de leão, minhas principais características são de uma autêntica leonina: enérgica, calorosa, generosa, fiel e sincera.
Adoro festas, dançar, cantar, sair para jantar e principalmente viajar. São destas viagens que trago belos tecidos, étnicos e exclusivos para criar lindas peças para minhas clientes.

Kika em suas viagens...
Sou apaixonada pela Natureza, pelos animais e pelas flores, as cores fortes e vibrantes me encantam!
Considero-me bastante brava. Sou exigente, perfeccionista e muitas vezes gosto que as coisas saiam e sejam do meu jeito. Aprendi após estes sete anos trabalhando em equipe a escutar e a dividir as tarefas com as outras pessoas, nunca esperei ninguém para fazer algo que eu queria, eu simplesmente ia lá e fazia!

CVSI: Como, quando e onde a moda surgiu em sua vida?
Kika: Formada em Negócios da Moda na faculdade Anhembi Morumbi, vislumbrei a possibilidade de ter meu próprio negócio. Tudo começou com meus trabalhos de faculdade nos quais desenvolvi coleções, marca, logo, loja, enfim… uma empresa de moda. A partir daí, com peças que comecei a criar, customizar e desenvolver artesanalmente para vender em bazares organizados por mim mesma para minhas amigas, foi sendo construída a imagem do que é hoje a Norità. A Norità surgiu através da união de três grandes amigas, muito diferentes entre si, de personalidades fortes, que sempre tiveram um sonho em comum: desenvolver uma marca própria.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê a Norita em um futuro próximo?
Kika: Com a saída das sócias, Júlia em 2005 e Camila em 2007, a Norità é hoje o vôo solo de Kika que agora atende somente com hora marcada no seu novo Atelier em Pinheiros.
Ali, além de criar peças únicas, atendo também minhas clientes prestando consultoria de moda e estilo. Quero focar nas peças sob medida e exclusivas feitas especiais para cada cliente.
Vivenciando as dificuldades de algumas clientes dentro do meu Atelier durante estes sete anos, criei uma proposta de consultoria para ajudar a mulher a se sentir satisfeita consigo mesma e com seu próprio armário, adequando-se à todas as mudanças – tanto pessoais como profissionais - de cada uma.

O caminho que sigo para a Norità hoje é ter mais tempo para criar, sem horário para chegar e para sair, poder ter mais flexibilidade para viajar e mais qualidade de vida. Acredito que muitas das inspirações vêm nestes momentos e não sentada apenas na frente de um computador fazendo pesquisa e vendo o que os outros estão fazendo. Observar o trabalho de outros e pesquisar o mercado faz parte de todas as profissões, mas na moda precisa ter autenticidade além da criatividade para criar peças autênticas e diferenciadas.

CVSI: Seu estilo é bastante criativo, alegre e contagiante. Como você se inspira para criar?
Kika: A minha maior inspiração sempre foi o estilo único de ser da minha avó, Dona Norita, uma mulher autêntica e bastante ousada para a sua época. Nascida em 15 de junho de 1921 era uma mulher de origem libanesa, de personalidade forte e bastante particular. Viajou o mundo inteiro trazendo peças, artigos, jóias e roupas étnicas, chiques, únicas e as usava como ninguém. Uma pessoa livre que se vestia do jeito que queria. Livre para impressionar as pessoas ao seu redor com as suas combinações e modelos.
A Dona Norita faleceu em 2001 e muitas de suas roupas, jóias, bijuterias, sapatos e bolsas ficaram de “herança” para mim. Hoje estas peças fazem parte da história da Norità. São inspirações para criações e algumas ficam expostas no atelier, para que dessa forma não seja perdido o elo com essa figura tão importante para a marca.

CVSI: Você sente/acredita que a inspiração com autenticidade, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?
Kika: A sustentabilidade é o foco! Ser sustentável está na moda! Sem dúvida, no mundo e na moda também temos que trabalhar cada vez mais em cima da reciclagem. Precisamos reciclar tudo, reciclar matérias-primas é o primeiro passo… Separar o lixo e aproveitar o máximo das coisas que temos: papel, tecido, comida, água e energia. O aquecimento global é culpa única dos seres humanos. Deixar pelo menos uma vez por semana o carro em casa, tomar banhos rápidos, levar sua sacola na hora de fazer compras no supermercado. Fica aqui a dica também para reciclar as idéias, a educação e a generosidade de que o mundo precisa.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação?
Kika: Acho uma excelente idéia ter este portal para que possamos dividir um pouco do que somos e do que fazemos com os outros. Se inspirar é lindo e poder mostrar um pouco da inspiração de cada um é mais interessante ainda. Os bastidores de cada artista deste teatro que é a vida está na verdade das respostas em que temos a oportunidade de escrever e mostrar para cada um dos leitores deste site. Parabéns!
Obrigada Kika! Foi um enorme prazer! CVSI
Para conhecer mais sobre o trabalho da Kika, viste: www.norita.com.br
Um Bate Papo Daqueles com Loro Verz!!!
Em nossa viagem “de cada dia” pela net encontramos muita gente talentosa e conectada consigo, fazendo arte com o coração. Nosso Bate Papo de hoje é com Loro Verz…um artista que se inspira ao abrir a janela de seu apartamento, no centro de São Paulo e que expressa em sua arte a mesma honestidade de suas palavras…imperdível! Deite e role…como fizemos! Obrigada Loro!
CVSI: Loro, sabemos que você é cartunista, artista plástico e ilustrador e que já expôs seu trabalho em São Paulo e em Londres, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Loro?
Loro: (Longo Silêncio) Um cigarro na mão, ainda acredito que consigo parar de fumar. (pausa) Quem é o Loro? (Pausa mais longa ainda) Um artista multifacetado, ansioso, olhar de criança atento ao que acontece a sua volta, fluxo de pensamentos desenfreados na cabeça, a mesma cabeça que fica a maior parte do tempo nas nuvens mas o pé no chão, confuso, colecionador de experiências, contador de estórias (pausa para um trago no velho cigarro que um dia será deixado como um amor desperdiçado).

Amo viver do jeito que vivo. Rodei o mundo em busca do ”Loro”. Quem é o Loro? Eco. Quem é o Loro? (Silêncio) Isso importa? Sim, importa sim….ou não. Talvez? ”Talvez” é a resposta para tudo. Me procuro e fujo de mim mesmo todos os dias. (Pausa) Esqueça tudo o que disse antes. Loro nunca fala de si mesmo em terceira pessoa….contraditório. Está em todos os lugares e se perde fácil, mas logo lá está ele se encontrando com ele mesmo.
Amo amar. Me perco para me encontrar. Mudo a cada segundo, não sinto falta de nehum dos ”Loros” do passado…..mas sem melancolia. Sou o mais religioso dos ateus. Já conversei com Deus. Loro é a parede do aquário que segura a pressão da água para os peixinhos nadarem livremente. É podre. Fiel. Apaixonante. Leonino. Egocêntrico. Honesto. Tão honesto e simples que as vezes beira a ingenuidade. Vulgar siginfica realista?.
Ri de si mesmo e ri do mundo com os outros. (Pausa para pegar um cigarro entre as cinzas do cinzeiro – esqueci de comprar cigarro) Boa pergunta…quem somos nós. Só sabe quem não é….não é o que? Sei lá…acho que entendi. Mas quando penso ter tudo sob controle, (ter controle não é uma meta) lá estou eu pergunatndo para os infinitos “Loros” nos labirintos espelhados na minha cabeça oca… Quem é o Loro? ( hahahhahahahha) Não era pra rir….era pra chorar? Estou rindo agora…. Quem não riu? O Loro. Que Loro?

CVSI: Como, quando e onde surgiu a arte em sua vida?
Loro: 1996. Ano importante. Somando -se 1+ 9+9+6 = 25; 2+ 5 = 7. Meu número da sorte. O maldito TOC me inspira. 1996. Entrei em direito na PUC-SP. Fui à Londres para ficar apenas por 6 meses e aprender a falar a língua da maçã na boca (Inglês Britânico). Seis meses se passaram, arrumei um emprego em um bar, liguei para casa e disse que não voltaria.
De certa maneira nunca mais voltei. Me apaixonei por uma Croata e lá fiquei por 8 anos. Descobria o mundo. As possibilidades são infinitas. Senti amor pela primeira vez. Meu amor pela croata abriu caminho para a arte. Descobri através dela que não tinha nada a ver com direito ou advocacia. Disse que era um artista. Hmmmmmmm…. Logo me recordei que eu era o cara que desenhava caricaturas na escola lá no fundo da classe.

Quase fui expulso de várias escolas, mas era um ótimo aluno. Sempre gostei de estudar, pois sou apaixonado em descobrir coisas novas. Sim. Desenhava. Sempre desenhei, sempre flertei com humor. Que é uma ótima proteção. Entrei na faculdade Central Saint Martins School of Art & Design blá blá blá blá….títulos ou posições sociais, intelectuais, vampiros nunca me interessaram…terminei a faculdade.
Durante os estudos trabalhei como porteiro, faxineiro, barman, decorador, panfleteiro, garçom, peão, lavei pratos, (pausa, acabei de achar um cigarro no canto de um maço todo amassado – meus olhos estão brilhando, meu pulmão ofuscado) sim, trabalhei no Mc Donald´s, fui encandor e eletricista. Todas são profissões respeitadas, acho bacana hoje em dia ir á um restaurante saber como são as coisas do outro lado da mesa!

Temos que conhecer o outro lado da meia-noite… e não ter medo de ver que a luz no fim do tunel é uma miragem! Trabalhei em uma galeria de arte (tomava café o dia todo). Dormi em vários lugares. Rua, casa de amigos e já tive um apto. só meu! A croata não aguentou e me deixou, não sou lá o mais fácil dos seres, tenho meus caprichos. Fazia xixi na pia….oh!!, minha honestidade de novo!
Bebia com frequência. No meu último emprego, dormia em um sleeping bag em uma garagem. Eu era porteiro do prédio. Trabalhava para um milionário que era um estelionatário, eu copiava quadros de um catálogo para ele decorar os milhares de prédios que ele possuia. Bebi uma noite, caí no chão, quebrei a mão. Sem mão, sem namorada, sem emprego….voltei para SP ( amo essa cidade!).

Morava na casa da minha irmã. Minha independência foi para a privada. Não sabia o que fazer. Comecei a dar aulas de Inglês. Depressão. Bebia bastante. Aluguei uma casa. Deprê se foi. Minha independência voltou! Duro, a grana dava só pro aluguel, mas liberdade não tem preço. Um dia vi em um shopping center uma tenda da MTV. Queria voltar para Londres. A tenda era minha salvação. Em letras garrafais podia se ler de longe. ”Dance o Clipe e Ganhe uma Viagem à Londres” Meus olhos brilharam.
Sempre dancei ”estranho”, ou melhor, minha dança nunca foi compreendida, Sempre odiei limites, passinhos, gente dançando como a Madonna… essa era a solução. Ganhar a competição e ir á Londres. Chegando em Londres, o plano era me desvencilhar da equipe da MTV e dar no pé. Fiquei em segundo lugar na competição… perdi a viagem. Ficou o mico. Hahhahahhaha, foi engraçado. Bebia bastante e ficava falando com os objetos de casa.

Pegava um cigarro e um cinzeiro e criava diálogos entre eles. Aí, comecei a desenhar tiras sobre isso. Frustação me inspira. Enviei as tiras para a Folha de São Paulo, 3º concurso de humor e ilustração. Fiquei entre os 15 finalistas. Um ano depois, ainda dando aulas de inglês, meu telefone toca. Do outro lado da linha uma voz estranha.
Alô? Loro? – Sim? Olá! Sou editor de um novo jornal que vai entrar em circulação em SP se chama Publimetro. Trabalhei na Folha e gostei das suas tiras. quer colaborar com o jornal? Virei cartunista do Metro. Fazia tiras sobre objetos que falavam entre si. Comecei com o que tinha na mesa quando voltava bebado. Cigarro, cinzeiro, copo, garrafa… aí comecei inserir novos ”personagens” ( nunca tinha um pesronagem fixo, odeio a rotina. E um fato: rotina mata neurônios).

Fiz diálogos entre privadas e outras coisas do gênero…o jornal não gostou. Que caretice! Eles reestruturaram o jornal e saí de lá. Acordei no meio da noite e me imaginei com 60 anos, ainda dando aulas de inglês, com um carro do ano na garagem, pagando prestações e morando de aluguel. Pedi demissão. Produzia painéis de MDF para mim mesmo, sem um objetivo principal, por prazer.
Liguei para um grande amigo, dono do Bar B no centro de SP e pedi para deixar uma painel lá pois estava jogando tudo fora de casa e estava indo morar na rua para começar de novo. Morar na rua pois não queria trabalhar como professor de inglês. Ele topou, deixei o painel no bar, voltei pra casa, joguei meu microondas que comprei nas Casas Bahia, (salve Casas Bahia) um dos pouco que me deram crédito!

Alguns dias depois o dono do bar B, grande Marcelo, me ligou e disse que um cara tinha comprado o painel e queria me conhecer. Ele é o dono do Maxhaus, outro grande amigo, Paim. Contei minha estória e ele me contratou como artista exclusivo dos empreendimentos imobiliários Maxhaus. Desde então muitas portas foram abertas, foquei na minha arte e já fiz trabalhos para a Puma, Shultz, ilustrações para New Balance, arte para arquitetos, exposições em Nova York, fui á londres pintar um Pub e muita coisa bacana.

Isso alavancou a carreira. Quando trabalhava de panfleteiro na rua, lá por 1999, conheci um artista que estudava na careta, tradicional e acadêmica Royal College of Art, mas ele tinha um diferencial, fazia grafite! Ele me ensinou a técnicas e grafitamos juntos. Isso me deu a ideia de dar aulas de grafite na Escola São Paulo. NÃO SOU GRAFITEIRO! Venho do também careta e tradicional acadêmico.
Fazia retratos à óleo…foi legal aprender a observar as coisas como elas realmente são para distorcê-las depois. Posso dizer que a arte me salvou! Toda minha trajetória até hoje estava apontando para um único caminho…a arte! Faço tudo que faço de coração. Não quero agradar ninguém. Não quero tapinhas nas costas. Não quero descobrir uma fórmula e me copiar! Já está mais que na hora de fazer uma arte diferente, sinto que logo mais mudo o caminho! Caramba, vou parar aqui. Escrevi uma bíblia…..
CVSI: Fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?
Loro: Meu projeto é ter meu própio espaço. Um galpão. No andar de baixo uma oficina e uma ”mini galeria” com meus trabalhos. No andar de cima eu moro. Mas não quero uma gota de tinta no piso superior! Acho legal separar o lugar de trabalho e o lugar para viver. Estou cansado de dormir entre meus painéis. Moro em um apto. no centro (me mudei para a boca do lixo para influenciar o trabalho, e já influenciou. Os letreiros das casas noturnas, as saias coloridas dos travestis me inspiram. O trabalho está mais colorido e com mais comentários).

Meu plano é não deixar ninguém explorar o que faço! Tem tanto artista fantástico sendo explorado. Isso é uma merda. Não tenho agente. Corro atrás das coisas como sempre fiz. Amo ser independente, ninguém precisa de um sanguessuga ao lado. Tenho muito que explorar o que faço. Quero retornar ao careta e tradicional acadêmico, ver no que dá! Preciso urgentemente experimentar mais!
CVSI: Loro, suas criações são cheias de personalidade e muito divertidas. Como você se inspira para criá-las?
Loro: O meio influencia meu trabalho. Me mudei para o centro de SP atrás de inspiração. Como disse acima, moro na boca do lixo. Isso em inspira. Coloco toda aquela energia maluca do centrão nos painéis que faço. Como me inspiro para criá-los hoje? Abro a janela do meu apto. E olho para a rua por uns 15 minutos. Milhões de ideias são geradas na cabeça.
CVSI: Você sente/acredita que a inspiração, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?
Loro: Criatividade é tudo! Desde bombril na antena da TV até a criar maneiras criativas para pagar as contas! Hahhahahhaha. Ser criativo é essencial hoje em dia, mas a grande maioria ainda prefere que os outros pensem por eles. Isso é triste, mas bem real!
CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por conseqüência, o enriquecimento de nossa existência?
Loro: Acho muito legal a proposta do site. Mostra os bastidores do artista. As portas do fundo são sempre as mais verdadeiras e interessantes. É interessante conhecer a estória de alguém. Assim podemos fazer o que viemos fazer aqui….trocar informações e tomar cerveja com os amigos!
Para descobrir mais sobre o trabalho incrível do Loro, clique aqui.
Um 2010 perfeito para todos nós! E para começar este ano que promete ser muito especial, convidamos um artista - também muito especial - que não só cria e produz uma arte deslumbrante, mas a faz transformado sucata em beleza pura. Sejam bem vindos a este primeiro Bate Papo Inspirado de 2010 e muita luz!
CVSI: Paulo, sabemos que você é um artesão-designer que trabalhou como oficineiro de reciclagem de papel e fibras naturais e hoje tem seu atelier onde transforma sucata em objetos de arte e decoração inovadores, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Paulo?
Paulo: Difícil responder, já que venho me conhecendo a cada dia, mas vou tentar. Gêmeos com ascendente em gêmeos e lua em touro, filho de militar (isso fez com que eu conhecesse muitos lugares e diferentes culturas e costumes). Desde criança fui um pouco “cientista maluco” adorava brinquedos que envolviam química ou eletricidade. Hiperativo, com uns 10 anos já “reformava” meus brinquedos à pilha, relógios e o que viesse pela frente, deixando meus pais loucos. Uma de minhas paixões é o “domínio de materiais” e no percurso desses 46 anos aprendi desde o papel até a fundição de metais, passando por polímeros (plásticos e acrílicos), vidros e lapidação. Dediquei uma boa parte de minha vida a “Educação Social” onde me valia desse conhecimento promovendo oficinas de papel artesanal, cartonagem e encadernação para adolescentes em vários projetos sociais.
Acredito que em trabalhos dessa natureza é muito mais importante absorver a cultura e costumes da clientela do que chegar ditando regras que lhe são absolutamente estranhas. Mas paralelamente a tudo sempre estava envolvido com decoração de ambientes desenho, pintura e escultura, eram meu hobby.

CVSI: Como, quando e onde surgiu a marca Paulo Toledo? O que se passava em sua vida naquele momento?
Paulo: Me sentia “nadando contra a corrente” em projetos sociais atrelados ao poder público que, inevitavelmente, acabam se tornando apenas ferramentas político eleitoreiras. Um dia resolvi dar um basta. Inverti a situação, transformei meu hobby em profissão e agora, como voluntário, transformei também minha profissão em hobby. Vivemos em um mundo de possibilidades e penso ser importante estarmos atentos às chances de mudanças.
Logo que comecei o trabalho, (isso faz apenas 3 anos) não tinha muita noção do que faria, mas já recuperava peças encontradas em desmanches e demolições e vendia em uma famosa loja de decoração em São Paulo. Comecei então a criar algumas peças e colocá-las nas lojas, foi então que percebi que poderia haver mercado para elas.
Como trabalho sozinho, resolvi usar meu próprio nome, já que as duas coisas acabam se misturando mesmo (a criação e o criador), mas penso sempre em criar uma outra marca onde possa estar envolvendo mais gente no trabalho.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê os produtos Paulo Toledo em um futuro próximo?
Paulo: Não imaginava me tornar um designer, sou um artesão que de repente começou a ser citado na mídia como designer, talvez devido às características contemporâneas de meu trabalho. No momento estou desenvolvendo uma nova coleção, que mantem as características básicas do trabalho (fotos), mas agregando cores e texturas.
Quando resolvi trabalhar com ferro, fiz antes uma longa pesquisa sobe o que havia disponível no mercado, examinando tendências e, principalmente, tendo a preocupação de nunca fazer nada parecido com o que já existia. Portanto, minha pretensão com esse trabalho é realmente desafiar esse ciclo produtivo absolutamente insustentável em que a humanidade se enfiou, chacoalhar os conceitos (quase todos que vão a uma exposição minha dizem:_ “vai ser impossível ver os restos de ferro e madeira com os mesmos olhos depois de hoje”).
É para isso que faço meu trabalho, a venda é só uma consequência. Acredito que há tanta ousadia na execução do meu trabalho quanto há ousadia em quem o adquire. Procuro ser quase didático, com peças que não escondem as origens da matéria prima. É isso, vejo meu trabalho como uma mistura de arte e didática, como se o educador continuasse gritando em mim.

CVSI: Você exala criatividade e poder de transformação em seus produtos e criações. Como você se inspira para criá-los?
Paulo: O importante é não ter um conceito fechado sobre nada , muitas vezes faço uma peça extremamente trabalhosa e no final ela não me emociona, então eu a reciclo. Em outras quase não há trabalho, mas quando olho, ela me diz: “estou pronta”. Há uma relação profunda entre eu, o material e a forma no momento da criação, uma relação de amor com o objeto, penso que é essa a essência de minha inspiração: paixão.

CVSI: Fale um pouco do processo de reciclagem/transformação e seus benefícios. Qual sua opinião sobre o assunto?
Paulo: O que faço não é propriamente reciclagem e sim reaproveitamento. Há uma grande confusão na cabeça das pessoas sobre o assunto hoje em dia (se pensarmos em termos planetários). Reciclar é devolver o material ao seu ciclo inicial.
Tudo que é extraído da terra deveria ter um ciclo contínuo sobre ela para evitar mais exploração, uma garrafa pet deve voltar a ser outra garrafa pet, tudo que desvia o material de seu ciclo pode ser até politicamente correto, mas dependendo do material pode ser perigoso.
O ferro é um dos minerais mais abundantes no planeta, não sendo impactante o seu reaproveitamento, já com o alumínio por exemplo, não consigo ver sentido em transformar 1000 latinhas em um objeto de decoração e forçar a exploração de mais bauxita para a produção de mais alumínio, cujo processo é sabidamente prejudicial ao meio ambiente, além de consumir muita energia elétrica. Cada material tem que ser visto de forma diferente, levando-se em conta sua raridade, custo de produção e exploração, danos ambientais, etc…

CVSI: Você sente/acredita que a criatividade, a imaginação, a inovação – inclusive aplicados à reciclagem e transformação – são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?
Paulo: Criar é reinventar o mundo. Sem criação estaríamos nas cavernas ainda, aliás, foi um ser criativo que entendeu que numa caverna seria mais seguro para se viver, não? A base evolutiva do ser humano é a criação e a arte é quem dá sempre os primeiros sinais de qualquer mudança do comportamento humano.
A reciclagem é uma tendência cultural. Há um ditado popular que diz que tem gente não sai do lugar enquanto a água não bate na bunda né? Rsrs… Por enquanto a água ainda está nos pés e só os mais visionários estão se manifestando, mas já há um início de revolução nisso. Difícil nosso sistema econômico assimilar mudança tão radical a curto prazo, mas a tendência é valorizar cada vez mais o que já está sobre o planeta.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do Como Você se Inspira de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por consequência, o enriquecimento de nossa existência?
Paulo: Primeiramente gostaria de agradecer a oportunidade de mostrar meu trabalho e falar um pouco sobre o que penso. Acho a iniciativa de vocês maravilhosa, conhecer um pouco mais sobre o processo de criação de vários artistas, cada um com sua peculiaridade só faz fomentar a criatividade e sua aplicação da vida cotidiana. Grato.

Para saber mais sobre o trabalho do Paulo, clique aqui.
Paulo, obrigada pelo lindo Bate Papo! Feliz 2010!
A Vivi é uma artista especial, que cria com muita harmonia e que nos dá o prazer deste Bate Papo. Passem pela deliciosa experiência de entrar um pouco na história de Vivi Hack e conhecer suas idéias sobre a vida, seu trabalho, sua arte…Sabemos que vão adorar!
CVSI: Vivi, sabemos que você é uma artista de mão cheia e que cria com charme e harmonia, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é a Vivi?
Vivi: Meu estilo de vida é muito simples. Sou caseira, curto decoração, filmes e amo música. Definitivamente a música é essencial na minha vida e tem o poder de melhorar meu humor a qualquer momento. Gosto de imaginar que um belo dia largarei tudo e sairei pelo mundo em busca de novas experiências, mas até lá, procuro estar atenta às possibilidades, explorando novos caminhos e me apaixonando por diversas formas de expressão, sempre em busca de algo que propicie uma simbiose entre meu trabalho e meu estilo de vida.

CVSI: Como, quando e onde surgiu o Mercado Imaginário? O que se passava em sua vida naquele momento?
Vivi: Em janeiro de 2005 eu criei o blog Maria Cartolina onde expunha meus trabalhos de design, projetos acadêmicos e experimentais. Entre os trabalhos, se destacavam as costuras que comecei a desenvolver quando resolvi aproveitar alguns tecidos lindos que havia comprado por impulso.
Lembro de quando levei minha primeira coleção de “nécessaires” com 40 peças para a agência onde trabalhava. Não demorou muito para que praticamente todas fossem vendidas e ainda voltei para casa com algumas encomendas.
Passei um longo período conciliando o trabalho como designer e o hobby de crafter, até que em junho de 2006 quando estava concluindo a faculdade de desenho industrial, resolvi sair da agência onde estava há cinco anos para me dedicar exclusivamente ao projeto final, que se tratava exatamente da criação da marca e desenvolvimento da identidade visual do Mercado Imaginário, com direito a uma coleção de bolsas, catálogo de lançamento, kit de divulgação, site, entre outras peças.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos para o Mi.
Vivi: O [mi] está em constante mudança, basicamente porque gosto de novidades, e a marca de certa forma acaba mostrando um paralelo com as minhas transformações pessoais. Também não me prendo a planejamentos muito rígidos ou extensos, pois acho importante que as coisas evoluam no mesmo ritmo em que as idéias ganham vida. Sempre tive, por exemplo, vontade de desenvolver peças de decoração, e já fiz almofadas e caixas para o Mercado Imaginário, mas por me interessar bastante pelo tema, sei que ainda tenho muito mais a explorar nesse sentido.
Também tenho planos de desenvolver uma linha definitiva, composta por produtos que estejam sempre disponíveis no site. E o desafio é justamente fazer isso sem perder a originalidade e a essência da marca, pois hoje todas as criações do [mi] ainda são produzidas em edições limitadíssimas, e por isso a maior parte das peças fica disponível na loja por um período muito curto.

CVSI: Como você se inspira para estimular sua criatividade?
Vivi: Não tenho uma metodologia definida, mas o ato de observar é essencial. Por isso estou sempre buscando enriquecer o que chamo de banco sensorial. Seja através de filmes, músicas, artes gráficas, diferentes hábitos e culturas ou simplesmente observando as sensações do cotidiano.
Sob o aspecto prático, concordo que a criatividade é 90% transpiração. A idéia pode partir de um rabisco, de uma necessidade, de um desejo ou mesmo de um universo imaginário com o qual eu esteja envolvida no momento. Mas por melhor que uma idéia possa parecer, ela é apenas uma semente, e você pode ter várias idéias aparentemente muito originais, mas ela só se mostra verdadeiramente criativa depois de sobreviver à fase de estudos, testes e adaptações.
Por isso, acredito que colocar a mão na massa ainda é a melhor maneira de descartar os devaneios e ter a oportunidade de descobrir novas possibilidades que geralmente são inimagináveis na etapa inicial da criação.

CVSI: Você sente/acredita que a criatividade, a imaginação, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?
Vivi: Quando alguém visa o lucro acima de todas as outras coisas, ele se torna autodestrutivo. E isso se mostra evidente em cada esfera produtiva: desde o artesão ou crafter que copia uma marca (e vice-versa) até o empresário que apela para a mão de obra barata/escrava, passando pela publicidade enganosa.
Por outro lado, se existem respeito e troca na relação com o consumidor, fornecedores, colaboradores, enfim, com toda a rede que viabiliza a cadeia produtiva, todos saem ganhando. Muita gente já percebeu isso e muitas empresas já aderiram o Fair Trade. Acredito sim, que este seja o melhor (senão o único) caminho para que o mundo passe a se desenvolver de forma verdadeiramente sustentável.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do Como Você se Inspira de ser um espaço aberto para agregar e promover pessoas que expressam sua criatividade através da conexão com suas verdades – acreditando que assim, contribuiremos o enriquecimento de nossa existência?
Vivi: As pessoas estão cansadas das produções em série, das padronizações, do consumo massificado e estão buscando o autoconhecimento e a satisfação pessoal em coisas simples, procurando se conectar com seus desejos reais, desenvolvendo habilidades e valorizando a individualidade, seja no consumo ou nas suas atividades.
Acho essencial que existam canais antenados que exponham e que ajudem a divulgar a experiência dessas pessoas. Hoje, através da internet, e em parte devido a ela, existe um grupo de artistas, crafters e adeptos do DIY (Do it yourself / Faça você mesmo) que não pára de crescer no mundo todo.
Divulgar e ampliar esse movimento fomenta uma nova postura que é importante não só para quem produz, mas também para quem consome, proporcionando um ganho imenso para as pessoas, para as relações entre elas e conseqüentemente para o Planeta.

Comentários Extras e Sugestões:
Vivi: Parabéns pela iniciativa e pelo conteúdo. Agradeço a oportunidade e desejo vida longa ao site!
Obrigada Vivi!! Para conhecer mais o trabalho da Vivi e as novidades do MI, clique aqui.
