artistaA Vivi é uma artista especial, que cria com muita harmonia e que nos dá o prazer deste Bate Papo. Passem pela deliciosa experiência de entrar um pouco na história de Vivi Hack e conhecer suas idéias sobre a vida, seu trabalho, sua arte…Sabemos que vão adorar!

 

CVSI: Vivi, sabemos que você é uma artista de mão cheia e que cria com charme e harmonia, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é a Vivi?

Vivi: Meu estilo de vida é muito simples. Sou caseira, curto decoração, filmes e amo música. Definitivamente a música é essencial na minha vida e tem o poder de melhorar meu humor a qualquer momento. Gosto de imaginar que um belo dia largarei tudo e sairei pelo mundo em busca de novas experiências, mas até lá, procuro estar atenta às possibilidades, explorando novos caminhos e me apaixonando por diversas formas de expressão, sempre em busca de algo que propicie uma simbiose entre meu trabalho e meu estilo de vida.

bate papo

CVSI: Como, quando e onde surgiu o Mercado Imaginário? O que se passava em sua vida naquele momento?

Vivi: Em janeiro de 2005 eu criei o blog Maria Cartolina onde expunha meus trabalhos de design, projetos acadêmicos e experimentais. Entre os trabalhos, se destacavam as costuras que comecei a desenvolver quando resolvi aproveitar alguns tecidos lindos que havia comprado por impulso.

Lembro de quando levei minha primeira coleção de “nécessaires” com 40 peças para a agência onde trabalhava. Não demorou muito para que praticamente todas fossem vendidas e ainda voltei para casa com algumas encomendas.

Passei um longo período conciliando o trabalho como designer e o hobby de crafter, até que em junho de 2006 quando estava concluindo a faculdade de desenho industrial, resolvi sair da agência onde estava há cinco anos para me dedicar exclusivamente ao projeto final, que se tratava exatamente da criação da marca e desenvolvimento da identidade visual do Mercado Imaginário, com direito a uma coleção de bolsas, catálogo de lançamento, kit de divulgação, site, entre outras peças.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos para o Mi.

Vivi: O [mi] está em constante mudança, basicamente porque gosto de novidades, e a marca de certa forma acaba mostrando um paralelo com as minhas transformações pessoais. Também não me prendo a planejamentos muito rígidos ou extensos, pois acho importante que as coisas evoluam no mesmo ritmo em que as idéias ganham vida. Sempre tive, por exemplo, vontade de desenvolver peças de decoração, e já fiz almofadas e caixas para o Mercado Imaginário, mas por me interessar bastante pelo tema, sei que ainda tenho muito mais a explorar nesse sentido.

Também tenho planos de desenvolver uma linha definitiva, composta por produtos que estejam sempre disponíveis no site. E o desafio é justamente fazer isso sem perder a originalidade e a essência da marca, pois hoje todas as criações do [mi] ainda são produzidas em edições limitadíssimas, e por isso a maior parte das peças fica disponível na loja por um período muito curto.

decoração

CVSI: Como você se inspira para estimular sua criatividade?

Vivi: Não tenho uma metodologia definida, mas o ato de observar é essencial. Por isso estou sempre buscando enriquecer o que chamo de banco sensorial. Seja através de filmes, músicas, artes gráficas, diferentes hábitos e culturas ou simplesmente observando as sensações do cotidiano.

Sob o aspecto prático, concordo que a criatividade é 90% transpiração. A idéia pode partir de um rabisco, de uma necessidade, de um desejo ou mesmo de um universo imaginário com o qual eu esteja envolvida no momento. Mas por melhor que uma idéia possa parecer, ela é apenas uma semente, e você pode ter várias idéias aparentemente muito originais, mas ela só se mostra verdadeiramente criativa depois de sobreviver à fase de estudos, testes e adaptações.

Por isso, acredito que colocar a mão na massa ainda é a melhor maneira de descartar os devaneios e ter a oportunidade de descobrir novas possibilidades que geralmente são inimagináveis na etapa inicial da criação.

CVSI: Você sente/acredita que a criatividade, a imaginação, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?

Vivi: Quando alguém visa o lucro acima de todas as outras coisas, ele se torna autodestrutivo. E isso se mostra evidente em cada esfera produtiva: desde o artesão ou crafter que copia uma marca (e vice-versa) até o empresário que apela para a mão de obra barata/escrava, passando pela publicidade enganosa.

Por outro lado, se existem respeito e troca na relação com o consumidor, fornecedores, colaboradores, enfim, com toda a rede que viabiliza a cadeia produtiva, todos saem ganhando. Muita gente já percebeu isso e muitas empresas já aderiram o Fair Trade. Acredito sim, que este seja o melhor (senão o único) caminho para que o mundo passe a se desenvolver de forma verdadeiramente sustentável.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do Como Você se Inspira de ser um espaço aberto para agregar e promover pessoas que expressam sua criatividade através da conexão com suas verdades – acreditando que assim, contribuiremos o enriquecimento de nossa existência?

Vivi: As pessoas estão cansadas das produções em série, das padronizações, do consumo massificado e estão buscando o autoconhecimento e a satisfação pessoal em coisas simples, procurando se conectar com seus desejos reais, desenvolvendo habilidades e valorizando a individualidade, seja no consumo ou nas suas atividades.

Acho essencial que existam canais antenados que exponham e que ajudem a divulgar a experiência dessas pessoas. Hoje, através da internet, e em parte devido a ela, existe um grupo de artistas, crafters e adeptos do DIY (Do it yourself / Faça você mesmo) que não pára de crescer no mundo todo.

Divulgar e ampliar esse movimento fomenta uma nova postura que é importante não só para quem produz, mas também para quem consome, proporcionando um ganho imenso para as pessoas, para as relações entre elas e conseqüentemente para o Planeta.

Comentários Extras e Sugestões:

Vivi: Parabéns pela iniciativa e pelo conteúdo. Agradeço a oportunidade e desejo vida longa ao site!

Obrigada Vivi!! Para conhecer mais o trabalho da Vivi e as novidades do MI, clique aqui.

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O Bate Papo de hoje é com uma pessoa criativa, flexível, inovadora e muito talentosa. Estamos falando de Jackson Araujo da Shhh.fm e seu trabalho como sound-stylist. Deite e role nesta gostosa conversa…

CVSI: Sabemos que é Jornalista de formação, que atua como Consultor de Moda e Analista de Tendências e que por ser um apaixonado por música faz um trabalho como sound-stylist. Mas conte um pouco mais sobre você, quem é o Jackson?

Jackson: Tenho descoberto no último ano duas importantes ações na vida: a primeira é de agregar pessoas; a segunda é de inspirá-las. Sendo assim, acredito que usar a música como ferramenta de comunicação faz o maior sentido, não é mesmo?

Sou um observador incansável. Nasci na praia e fui criança na Floresta Amazônica e no Sertão.

Credito a isso meu gosto por cultura popular, lugares exóticos, temperos, cores e Natureza. Não sei viver em silêncio e não imagino um dia sem trilha sonora.

CVSI: Como, quando e onde você começou esse trabalho de sound-style?

Jackson: Sempre trabalhei com moda e desde meus primeiros textos busquei entendê-la como um conjunto de fatores. Moda é música, fotografia, design, arte, movimento, beleza, cultura e conta a história do tempo. Assim, além de escrever sobre ela, me interessei em musicá-la fazendo trilhas sonoras para desfiles, lá nos anos 80, ainda em Fortaleza.

Depois, quando comecei a tocar em festas e clubes, nos anos 2000, em SP, não me via como um DJ, por não gostar de um estilo musical somente, por não ser um turntablista, por prezar pela criação de uma atmosfera sonora pros lugares, não necessariamente pensando em fazer as pessoas dançarem, mas celebrarem o encontro, a experiência do ambiente e das companhias.

Juntando isso com a criação de trilhas sonoras para desfiles – Lino Villaventura, Thais Losso, Rita Wainer, Samuel Cirnansck, Ellus, 2nd Floor,Cavalera, Água de Coco, Iódice, Reserva, Ricardo Almeida – exposições de arte, lojas e shopping centers, meu trabalho de sound-styling foi se concretizando ao longo dos últimos anos e se materializou com o Shhh.fm, agora em 2009, numa parceira com a Cherryplus

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CVSI: O que você faz para se conectar com sua inspiração, ou seja, como você se inspira para realizar essas criações sonoras?

Jackson: A inspiração surge habitualmente das minhas leituras diárias e das observações sobre o constante movimento do mundo. Como leio muito diariamente sobre diversos assuntos, de Ciência a Ilustração, de Música a Design, de comportamento jovem a gastronomia, vou costurando assuntos que dialogam entre si e que, a meu ver, podem acender na cabeça das pessoas um entendimento maior sobre o futuro das relações.

Como não consigo imaginar a vida sem uma trilha sonora, vou naturalmente selecionando na minha biblioteca musical (dentro e fora do computador), tracks (novíssimas, novas, antigas, clássicos) e sons que combinem com aquele determinado mood. Às vezes a trilha vem antes do texto; às vezes faço as duas coisas paralelamente; outras, o texto vem antes. Procuro imprimir liberdade nesse ato criativo. criativacriativa

CVSI: Conte-nos um pouco sobre seus planos para o futuro em relação à esse projeto e ao Shhh.fm?

Jackson: Quero musicar cidades, parques, ambientes públicos de encontro. Busco com esse projeto ser um veículo de comunicação de novos criativos, propagar por meio da música inspirações para um mundo melhor.

CVSI: Você sente/acredita que a criatividade, a imaginação, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e se desenvolva de maneira sustentável?

Jackson: Desde que os criativos, os pensadores e os inovadores estejam de fato interessados em um mundo melhor, sim! Torço para que as velhas idéias saiam de cena e possamos de fato entender a Natureza como um organismo pulsante, vivo e coeso. O mundo como era antes acabou e uma nova era de trocas e relacionamentos se estabeleceu com a Internet. Estamos começando uma nova fase de percepção sobre a valorização do conteúdo relevante para que essas mudanças ocorram. Acordo todo dia pensando em colaborar com isso. É o que me inspira.

CVSI: Obrigado Jackson, por esse Bate Papo cheio de melodia…

Para ouvir o talento do Jackson na Shhh.fm, clique aqui.

Através de mais um Bate Papo Inspirado, tivemos o prazer de falar com Cris Paz, da ChezCris. O trabalho da Cris é uma delícia de apreciar…de maneira alegre, criativa e lúdica ela cria, com paixão, linhas de produtos originais e versáteis que encantam adultos e crianças…

Confira abaixo um pouco mais da história e da visão da Cris em relação ao seu trabalho e o mundo da criatividade. Enjoy!

  

CVSI: Cris, sabemos que é publicitária e jornalista e que sua relação com a criatividade começou na infância, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é Cris Paz?

bate papo inspiradoCris: Fui uma criança muito tímida, mas independente, que adorava brincar sozinha. Não precisava apenas de brinquedos para me divertir, por exemplo, bastava os 10 dedos das mãos e minha imaginação para criar um universo rico de personagens e histórias. Minha mãe sempre incentivou meu lado cultural, estimulando a leitura, as aulas de ballet, o gosto por música clássica e ópera. Claro, que isso tudo interfere até hoje no meu trabalho. Também foi na infância que começaram a aparecer características de empreendedorismo, ferramenta tão essencial quanto a criatividade quando pensamos em ter um negócio próprio. Hoje a timidez ficou de lado, o jornalismo me ajudou muito neste sentido. Sou extremamente curiosa, inquieta e qualquer hora é hora de criar. Sou perfeccionista e persistente. Adoro ensinar e ver a evolução profissional da minha equipe.

 

CVSI: Como, quando e onde surgiu a ChezCris? O que se passava em sua vida naquele momento?

Cris: A Chez Cris começou há mais de 6 anos. A rotina tumultuada de quem trabalhava com comunicação e a pressão do dia-a-dia me impulsionaram a buscar uma terapia manual, comecei criando bijoux com vidro, misturando técnicas de entrelaçamento russa e japonesa. As peças agradavam demais o público feminino mais próximo – amigas e primas – e o hobby virou negócio. Como eram peças feitas com uma matéria-prima bacana, fiz uma embalagem de feltro, bem fofa, bordada à mão. O sucesso foi tão grande que acabou apontando para outra matéria-prima, o tecido. Comecei com os toys, depois fui abrindo o leque para ampliar o mix de produtos, hoje fazemos toda a parte de decoração de quarto de bebê.

 

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 CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê o ChezCris em um futuro próximo?

Cris: Bom, nossos planos para a marca é intensificar as ações online. Estamos com nova loja virtual no ar, que é muito mais orgânica e sensorial. Num futuro próximo, queremos aumentar nossas vendas internacionais, para isso, estamos estruturando a loja virtual também para a versão em inglês.

 

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CVSI: Seus produtos são muito originais, e sua linguagem criativa é única. Como você se inspira para criar?

Ícone de exibição de *CHEZ CRIS* Cris PazCris: Minhas inspirações vêm, principalmente, de pessoas. Então, em todo lugar e momento estou observando gestos, expressões. As cores também me inspiram demais, seja na comida, nas flores, nos traços. Minhas histórias e lembranças infantis também são muito inspiradoras e estão presentes em cada “agulhada”. Acho importante ter um hobbie, eles são estímulos à criatividade. Tenho dois: a fotografia e coleciono dolls (Bjds). A fotografia treina o meu olhar o tempo todo. Minha câmera está sempre comigo. Tudo pode virar um clic. Através da lente, aprendo a olhar um objeto de maneiras diferentes. Pra mim, um excelente exercício de criatividade.

 

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CVSI: Você sente/acredita que a criatividade, a imaginação, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?

Cris: Sem dúvida. Cada vez mais percebo que a falta de criatividade pode derrubar uma empresa, isso mais que nunca. Assim como as marcas têm acesso à coisas bacanas e recursos fantásticos pela Internet, o consumidor também. Hoje, ele é muito bem informado, exigente e forte contribuinte para a reputação de uma companhia, seja ela pequena ou grande. Portanto, ser criativo e apresentar soluções inovadores é ter respeito por um cliente que busca o diferencial.

 

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CVSI: Você contribui ou tem planos de – através do seu trabalho – contribuir com o terceiro setor? Se sim, poderia nos contar um pouco? Se não, teria interesse em desenvolver?

Cris: Já conversei com algumas ONGs ligadas à comunidades, mas ainda não fechamos nada. Mas há interesse em desenvolver algo assim. Ainda estamos no começo, conhecendo os processos, tentando entender como isso funcionaria entre as duas partes. Na prática, tudo é mais complicado, por isso deve ser estudo com calma.

 

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do Como Você se Inspira de ser um espaço aberto para agregar e promover artistas que expressam sua arte através da conexão com suas verdades – acreditando que assim, contribuiremos para o enriquecimento de nossa existência?

Cris: Acho bárbaro! A Internet veio para democratizar. Antes dificilmente muitos artistas não teriam como divulgar seu trabalho por meio dos veículos de comunicação tradicionais, que nunca tiveram muito espaço. Agora, encontramos lugares bacanas na web que possibilitam essa troca de informações. Valeu meninas!

Obrigada pelo delicioso Bate Papo Inspirado, Cris! Sucesso!

Para conhecer mais o trabalho da Cris e adquirir suas charmosas criações, clique aqui.

08.29.2009

Fumaça Criativa

Fumaça Criativa

Algumas fotos do fotógrafo Will Cook que cria imagens com fumaça de incenso, para quem ainda não viu.

fumaça criativa

Sendo criativo, qualquer coisa pode ser transformada em arte… Inspirem-se

 

Para ver mais fumaça criativa, visite: www.flickr.com/photos/wcreations46

O primeiro bate-papo inspirado do Como Você se Inspira é com Marina Vargas, do blog Ma. Coisinha.

Marina realiza um trabalho incrível de encadernação manual, extremamente inspirador e que expressa sua linguagem criativa de maneira muito transparente. Enjoy it! inspirado

CVSI: Sabemos que é uma apaixonada por papéis, e que une essa paixão aos tecidos para criar, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é a Marina?

Marina: Marina nasceu em São Paulo em 23 de maio de 1984 e, por nascimento, é geminiana de vez em quando (quando convém acreditar no que os astros dizem, sabe como?). Hoje ela mora em Florianópolis, mas pretende voltar em breve para Ribeirão Preto, onde deixou a mãe, a cachorra, amigos e, agora, um ex-namorado. Marina acredita que é mais importante apegar-se às pequenas coisas que viver no mundo frenético que nos empurram através da TV. Ela quer ter uma casa pequena com um ipê na frente, uma boa companhia para as experiências gastronômicas e afazeres criativos para ficar sã (e garantir a vida assim, se for possível).

CVSI: Como, quando e onde surgiu a Ma. Coisinha? O que se passava em sua vida naquele momento?

Marina: Sempre vi muito de minha mãe em minha vida e nos meus gostos. O nome Mª. Coisinha veio dela que, no meio de seus surtos de esquecimento, chamava as pessoas assim. Ela também emprega verbos como “coisar” quando não se lembra do termo específico que precisa. Achei que nada melhor para homenageá-la (e brincar com a cara dela).

A Mª. Coisinha surgiu depois de anos de adoração aos papéis e quase um ano tentando fazer livros (primeiro comecei com os de espiral, mais fáceis mas não tão encantadores). Depois, como num passe de mágica, uma oficina de encadernação apareceu na cidade e aí, junto com muita pesquisa, fui descobrindo como fazer o que há tanto tempo me encantava. Tem horas em que as peças parecem se juntar, né?

No momento em que passei a usar o nome e a fazer e publicar meus livros, minha mãe tinha um ateliê/loja/escola de patchwork e vê-la respirar essa possibilidade de colocar algo que dá tanto prazer pra ela como fonte de renda me fez apostar em mim mesma e no que eu tenho gosto de fazer.

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CVSI: O que você faz para se conectar com sua inspiração, ou seja, como você se inspira? E como transforma sua inspiração em produto?

Marina: Acho que pra qualquer pessoa que faça um trabalho criativo, é necessária uma dose de humildade e admiração por quem já trilhou o mesmo caminho na mesma arte. Saí procurando pessoas e trabalhos de encadernação, informações sobre técnicas diferentes, materiais e a perceber qual era a “cara” de cada artista.

Além desse embasamento, acho que a própria vida vai encaminhando as coisas… Os momentos de lazer e de pesquisa acabam se refletindo nos gostos e os gostos nos materiais… Uma música pode influenciar uma fotografia, um filme pode influenciar uma pintura e por aí vai.

Não sei se me faço entender com esta resposta, mas acho que é basicamente isso mesmo: nossas vidas se transformam em referências.

CVSI: Como escolhe os materiais que vai usar? Existe algum ritual para isso?

Como trabalho com encadernação (e outras coisinhas mais, mas vou focar-me nos livros), papel passa a ser uma premissa. As capas em tecido garantem uma textura diferente entre o que protege e o que é utilizado (miolo), além de possibilitar uma série de manejos e alterações: bordados, costuras, emendas, aplicações, pintura e por aí vai.

Quando não faço livros em série, com materiais que já tenho ou para ver logo uma ideia sair da cabeça e ficar pronta, costumo perguntar pro cliente qual sua cor favorita, se tem preferência por cor de folha, quantidade de páginas e outros detalhes. Faço isso para que o trabalho fique com o jeito de quem vai usar e que a pessoa tenha tanto prazer em aproveitar o livro como eu tenho em confeccioná-lo.

CVSI: Você sente/acredita que a criatividade, a imaginação, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver?

Marina: Acho que criatividade e imaginação levam à inovação… e que estes três elementos são mais do que caminhos para este “desenvolvimento” que costumamos ouvir por aí.

Acredito que levam a um desenvolvimento de alegria, de encontro consigo mesmo, de planejamento, realização. Permitem que as pessoas entrem em contato com atividades lúdicas, coloquem para fora o que são, criando assim uma nova maneira de comunicar.

Sou super entusiasta de “terapias” alternativas e válvulas de escape para o dia-a-dia insano que a maioria das pessoas têm. Acho que os trabalhos manuais estão voltando com tudo porque mais gente concorda comigo! Hahaha…

Enquanto é difícil chutar o balde corporativo, as pessoas que pegam no pé, as meras obrigações e tudo o que fazemos “porque assim tem que ser”, reservar um tempo (ou dois) para atividades realmente escolhidas por nós já demonstra como queremos outra qualidade de vida e indica os caminhos pelos quais podemos nos aventurar para mudar as situações que nos chateiam.

FIM.

À Marina, nosso muito obrigado pela colaboração, energia positiva, flexibilidade e principalmente pela inspiração. Que trabalho lindoooo e inspirado! Maria Coisinha Logo Para ver o trabalho de Marina, visite Ma Coisinha