O Brazil dá um show de criatividade e, no caso do designer Rodrigo Almeida - com quem conversamos um pouco aqui no CVSI – esse show ultrapassou as barreiras geográficas e, no momento, ele está expondo em Paris! Mais detalhes…só lendo nosso Bate Papo!

CVSI: Rodrigo, sabemos que você é um artista muito criativo, um designer especialista em re-design com experiência internacional, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Rodrigo?
Rodrigo _ Não me considero um especialista em re-design , a construção e descontração do objeto se dá em todas as manifestações artísticas e o reuso de matérias ou materiais é apenas um dos lados do meu trabalho. Sou basicamente um designer brasileiro obcecado pela cultura brasileira.
Não faço um trabalho inspirado no Brasil, sou brasileiro .

CVSI: Como, quando e onde a arte surgiu em sua vida?
Rodrigo_Quando criança achava que seria artista plástico, passei por vários suportes até descobrir o design.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?
Rodrigo_ Estou sendo muito bem recebido pela imprensa brasileira , mas são poucas as empresas brasileiras que trabalham com criação, sabem desenvolver produtos e pensam global, por isso minha carreira sempre acontece mais fora do Brasil.
Em um futuro próximo me vejo cada vez mais e mais dentro de um avião pra cumprir minha agenda fora do Brasil .
De 23 a 27 de janeiro participo da exposição Transcultures na Maison&Objet em Paris e de 3 de abril a 15 de maio estarei com minha exposição individual na galeria FAT, também em Paris .

CVSI: Suas criações são únicas e muito charmosas. Como você se inspira para criá-las?
Rodrigo_ Não trabalho com inspirações especificas, são muitas camadas de imagens que vão se acumulando e formando uma nova imagem que se concretiza em produtos comerciais ou não .

CVSI: Você sente/acredita que a inspiração, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?
Rodrigo_ A criatividade e inovação sempre foram atributos da industria ou pelo menos da industria inteligente, o desafio é fazer com que o bom desenho chegue a grande escala.
Estamos vivendo um momento de desmaterialização da industria e precisamos não só de produtos sustentáveis, mas de técnicas sustentáveis de produção .
No caso especifico da industria de mobiliário, o trabalho de pesquisa e desenvolvimento de projetos está muito interessante, o apoio da imprensa, museus, galerias e algumas empresas estão sendo fundamentais para alavancar as novas possibilidades de se pensar e produzir design.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por conseqüência, o enriquecimento de nossa existência?
Rodrigo_ É uma proposta bastante ambiciosa, mas necessária. Sempre me sinto seduzido pela idéia romântica de que podemos mudar o mundo, mas acho que pelo menos ao mundo que nos cerca é realmente possível gerar bem estar e criatividade .



Obrigada Rodrigo! E sucesso em Paris! O site do Rodrigo é www.rodrigoalmeidadesign.com
Criatividade e Inclusão Social
Inclusão social
Já ouviu falar de economia criativa? Entendo que o conceito ainda não está muito claro, mas gira em torno de atividades que tenham como principal fonte de recurso a criatividade.
Esse movimento teve início na Inglaterra e desde 1997 a economia criativa é usada para movimentar e incrementar a indústria inglesa, além de gerar divisas e desenvolvimento social. Sabe-se que a indústria cultural é a maior empregadora da Inglaterra e com 1,3 milhão de pessoas e a participação desse setor no mercado mundial duplicou nos três primeiros anos do novo milênio.
De acordo com a UNESCO, dados de 2005 mostravam que apenas 03 países: Reino Unido, Estados Unidos e China, produziam 40% dos bens culturais comercializados no mercado mundial, incluindo livros, esculturas e outros objetos de arte e decoração, CDs, filmes, videogames.
A África e a América Latina participam nesse mercado com 4%. Esses números evidenciam o desperdício de talentos e oportunidades de negócios nos países subdesenvolvidos.
No Brasil, os primeiros registros de estudos sobre a economia criativa datam de 2004, por ocasião da 11ª. Reunião da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD).Esteve em pauta a necessidade de se formular políticas públicas e privadas para incentivar o setor a gerar emprego, renda e inclusão social, aproveitando a diversidade cultural do país e a facilidade dos jovens em compreender a linguagem artística contida nos programas de qualificação das instituições culturais.
O programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, define desenvolvimento como processo de ampliação de escolhas.
Nos paises em desenvolvimento onde a exclusão social tem uma relação forte e positiva com os índices de criminalidade e há uma dificuldade evidente em alocar a mão-de-obra pouco qualificada em atividades urbanas; ampliar escolhas no setor cultural pode atrair jovens de baixa renda e pouca escolaridade através de programas de qualificação e geração de primeiro emprego.
A Bahia sediou, em 2005, o Fórum Internacional de Indústrias Criativas, onde se ressaltou a importância do mercado da Cultura e se lançou o Centro Internacional das Indústrias Criativas.
Nessa ocasião, o Ministro da Cultura Gilberto Gil enfatizou que a indústria criativa como "epítome dos desafios e oportunidades que os países em desenvolvimento enfrentam no nosso mundo globalizado. A nova economia criativa, na qual a criatividade, experimentação e engenho têm papel preponderante na determinação da competitividade das nações e na criação de valores econômicos."
Em Pernambuco, um exemplo da prática de economia criativa é a empresa 4BMGR Ofice Artezanatos (GATOS DE RUA) cujos produtos são criações do designer Beto Kelner, diretor do Instituto Gatos de Rua.
A empresa apóia o Instituto, em contrapartida utiliza sua marca e contrata preferencialmente os jovens treinados no Instituto como seus empregados.
O instituto adota a metodologia da capacitação massiva para treinar os jovens, geralmente de baixa escolaridade, na execução de acessórios, esculturas, objetos de decoração e utilitários, criados pelo artista Beto Kelner que é também monitor do processo de aprendizagem dos jovens. O desempenho positivo desses jovens demonstra a relação benéfica que existe entre economia criativa e inclusão social.
No Brasil, apesar da vantagem comparativa gerada pela diversidade, o Produto Interno bruto (PIB) cultural contribui com apenas 1% da riqueza nacional, enquanto a média de participação mundial é de 7% do PIB, com amplas possibilidades de chegar a 10%, segundo cálculos da Organização das Nações Unidas (ONU).
A disparidade chamou atenção dos organismos internacionais que reconhecem a importância da cultura no desenvolvimento socioeconômico dos países. O presidente do Banco Mundial fez o seguinte relato: "considerações culturais devem ser incorporadas em todos os aspectos do desenvolvimento, se quisermos que o desenvolvimento seja sustentável e efetivo. A cultura é um recurso subestimado nos países em desenvolvimento. Pode gerar renda, emprego, divisas e inclusão social. Além disso, o apoio às atividades culturais gera um profundo bem-estar, na organização social e no funcionamento da sociedade".
Pesquisas internacionais (Richard Florida e Irene Tinaglia, professores da Carnegie Mellon University em Pittsburg), 2005, indicam que há uma relação positiva e crescente entre economia criativa e produtividade.A pesquisa analisou 45 países e o Brasil ficou em 43ª. posição, na frente apenas da Romênia e Peru. Ficou atrás da Argentina, México, Turquia, Chile, Uruguai.Comparando esses dados com estudo da FIESP (2005)sobre índice de produtividade publicada na Folha de São Paulo, referente a 43 países o Brasil ficou em 39ª. posição. O cruzamento dessas duas pesquisas pode validar a teoria de que há uma forte relação entre criatividade e produtividade, pois os 10 primeiros países com maior índice de produtividade são também os que mais investem em economia criativa.
A conclusão desse estudo sugere que o Brasil deve aproveitar melhor as vantagens comparativas naturais derivadas da diversidade cultural e da abundância de recursos humanos que provem de seus artistas e designers e transformá-las em vantagens competitivas gerando novos empregos para os jovens, renda e divisas para o país.