Conheci o trabalho do Silvio através da indicação de um outro artista especial, que já entrevistamos, o Paulo Toledo (obrigada Paulo!!). Além de descrobir a arte incrível do Silvio - uma arte que além de encantar, conscientiza - descobri a pessoa maravilhosa, vencedora, sensível e a favor de um mundo melhor que ele é. Através de nossa conversa, abaixo, você poderá entender melhor o que eu quero dizer… e aproveitar para se inspirar e se conectar consigo mesmo. Correee…

Verde
CVSI: Silvio, sabemos que você é um artista plástico muito criativo, que se dedica à colagem desde 1989, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Silvio?
Silvio: Essencialmente… Sou um cara que ama o que faz! Tenho 43 anos, autodidata. Nasci em São Paulo e há 12 anos resido na estância turística de Joanópolis, a 100 km da capital.
Hoje, com minha inseparável tesoura, recorto milhares de figuras e sigo em frente, tentando construir um novo mundo, um mundo melhor um mundo todo meu: mágico e surreal. Digamos que eu me veja como um Dom Quixote “arteiro”.

A Árvore
CVSI: Como, quando e onde a arte surgiu em sua vida?
Silvio: Trabalhei muitos anos na área de eventos até ser surpreendido por uma depressão. Levei muito tempo para entender o que estava acontecendo comigo, até que a arte surgiu intuitivamente como um caminho, uma razão para reviver.
Até então, jamais havia demonstrado qualquer aptidão para as artes plásticas. Hoje sei que, mesmo sem querer, empreguei a arte-terapia para conseguir extravasar meus sentimentos e poder seguir em frente em minha jornada. A arte foi essencial no meu processo de auto-conhecimento.

O Jovem Arlequim
CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?
Silvio: Hoje percebo que a minha arte pode um pouco mais do que a princípio havia imaginado. Em tempos de aquecimento global, tenho constatado que a arte da colagem pode atuar como importante instrumento de conscientização, muito mais eficaz, por exemplo, do que longos sermões a respeito da devastação do Planeta.
A colagem transmite algo fundamental… que para revertermos esta situação, precisamos, acima de tudo, reciclar, reciclar, reciclar… Reciclar materiais, idéias, sentimentos. Consigo ver, justamente, o meu trabalho atuando positivamente junto à coletividade como instrumento de conscientização.

A Ilha
CVSI: Suas criações são super criativas e deixam um gostinho de quero mais… Como você se inspira para criá-las?
Silvio: Obrigado, que bom que você conseguiu ver tudo isso no meu trabalho. Eu procuro estar bem para que as idéias fluam. Quando consigo isso, as idéias centrais dos quadros vêm praticamente prontas em minha mente. Depois vou adaptando conforme vou encontrando as imagens nas revistas. Arranco páginas e mais páginas de revistas, separo por categoria e depois recorto conforme a necessidade.
A inspiração vem sobretudo das pessoas que estão à minha volta, incluindo eu mesmo. Aprecio a idéia de tentar retratar a essência do ser humano e das transformações provocadas quando em contato com o mundo, com nossas necessidades consumistas.
Gosto muito de falar da solidão em meio à multidão, dos sonhos, da utopia necessária à sobrevivência. Gosto, também, de falar da tristeza, mas da tristeza que resgata e que faz pensar e reagir.

Senhor do Lixo
CVSI: Qual você acredita ser a relação entre o criar, o inovar e sustentabilidade? Como a criatividade pode contribuir para um planeta melhor?
Silvio: O criar com colagem, por exemplo, invoca ao reaproveitamento. E esta é a essência de um mundo sustentável!
Comentários Extras:
Silvio: O ponto-chave para o meu despertar ecológico foi ter conhecido Dona Nêga, uma senhora de 70 anos, natural aqui da cidade em que hoje resido, Joanópolis – SP. Dona Nêga complementa sua aposentadoria recolhendo papelão, revistas e outros materiais para vendê-los à reciclagem. Tudo o que sobra de minha produção vai para ela. Vê-la com o vigor de um jovem de 18 anos, conseguir alterar toda uma realidade de vida difícil a partir da reciclagem, fez-me pensar muito. Se ela, sozinha, pode… Por que o Mundo não pode?
Para conhecer mais o trabalho do Silvio e apreciar suas criações maravilhosas, visite o site ou o flickr!
Silvio, obrigada pela oportunidade e muito sucesso sempre! CVSI
Interpretando Inspiração

Inspiração,essa palavra realmente me faz parar para pensar… Gosto de pensar nela como algo que nos tira da zona de conforto: quando buscamos inspiração temos que nos movimentar, temos que, talvez, desconectar de tudo e conectar com a nossa voz, ouvir a música que nos toca, olhar a paisagem que nos fascina, sair da rotina, do habitual.

Essa é a essência da palavra inspiração, assim eu sempre senti e agora posso afirmar, pois depois de entrevistar três artistas aqui no nosso blog, que admiro muito: é isso mesmo! Inspiração vem através de um olhar para dentro, um olhar para fora, sempre com a intensidade devida, uma conexão com o mundo através de nossa alma.

Cada vez mais acharemos maneiras novas e mais interessantes de nos inspirar, de alcançar inspiração. A nossa alma pode atingir lugares nunca antes visitados. Se quisermos inovar, teremos que buscar cada vez mais estar conectados, nos inspirar.

Esse é e será o nosso desafio!

Como você se Inspira? Além de ser o nome do nosso blog, temos curiosidade em saber dos criadores como eles fazem, queremos inspirar, nos inspirar, trocar experiências ricas, motivar a inspiração para que ela se expanda e atinja níveis cada vez mais inovadores e fantásticos. E dessa maneira acreditamos que se pode mudar o mundo. 
Não é possível falar de inspiração e não mencionar a inovação… Conceitos ligados: um é – com certeza – produto do outro, sem um o outro não existe.
Quando nos referimos à inspiração acreditamos que ela é como a matéria prima na hora de produzir algo, com a diferença de que não pode ser comprada. Ela é exclusiva, única e não tem preço.

Great Design is Good for the Soul
Essa frase de Stephanie Ryan é tão verdadeira. Um bom design é bom para a alma. Sempre que eu vejo criações visualmente harmoniosas, com cores que se complementam e montam algo agradável de se olhar, isso de alguma maneira toca minha alma.

E Stephanie vai além, ela diz: “olhar para um bom design é como comer um pedaço de chocolate ou presenciar um pôr-do-sol perfeito. Nos afeta em muitos níveis, de maneiras que nem sempre percebemos. E contém propriedade curativa”. Viva o bom design.