O Brazil dá um show de criatividade e, no caso do designer Rodrigo Almeida - com quem conversamos um pouco aqui no CVSI – esse show ultrapassou as barreiras geográficas e, no momento, ele está expondo em Paris! Mais detalhes…só lendo nosso Bate Papo!

CVSI: Rodrigo, sabemos que você é um artista muito criativo, um designer especialista em re-design com experiência internacional, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Rodrigo?
Rodrigo _ Não me considero um especialista em re-design , a construção e descontração do objeto se dá em todas as manifestações artísticas e o reuso de matérias ou materiais é apenas um dos lados do meu trabalho. Sou basicamente um designer brasileiro obcecado pela cultura brasileira.
Não faço um trabalho inspirado no Brasil, sou brasileiro .

CVSI: Como, quando e onde a arte surgiu em sua vida?
Rodrigo_Quando criança achava que seria artista plástico, passei por vários suportes até descobrir o design.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?
Rodrigo_ Estou sendo muito bem recebido pela imprensa brasileira , mas são poucas as empresas brasileiras que trabalham com criação, sabem desenvolver produtos e pensam global, por isso minha carreira sempre acontece mais fora do Brasil.
Em um futuro próximo me vejo cada vez mais e mais dentro de um avião pra cumprir minha agenda fora do Brasil .
De 23 a 27 de janeiro participo da exposição Transcultures na Maison&Objet em Paris e de 3 de abril a 15 de maio estarei com minha exposição individual na galeria FAT, também em Paris .

CVSI: Suas criações são únicas e muito charmosas. Como você se inspira para criá-las?
Rodrigo_ Não trabalho com inspirações especificas, são muitas camadas de imagens que vão se acumulando e formando uma nova imagem que se concretiza em produtos comerciais ou não .

CVSI: Você sente/acredita que a inspiração, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?
Rodrigo_ A criatividade e inovação sempre foram atributos da industria ou pelo menos da industria inteligente, o desafio é fazer com que o bom desenho chegue a grande escala.
Estamos vivendo um momento de desmaterialização da industria e precisamos não só de produtos sustentáveis, mas de técnicas sustentáveis de produção .
No caso especifico da industria de mobiliário, o trabalho de pesquisa e desenvolvimento de projetos está muito interessante, o apoio da imprensa, museus, galerias e algumas empresas estão sendo fundamentais para alavancar as novas possibilidades de se pensar e produzir design.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por conseqüência, o enriquecimento de nossa existência?
Rodrigo_ É uma proposta bastante ambiciosa, mas necessária. Sempre me sinto seduzido pela idéia romântica de que podemos mudar o mundo, mas acho que pelo menos ao mundo que nos cerca é realmente possível gerar bem estar e criatividade .



Obrigada Rodrigo! E sucesso em Paris! O site do Rodrigo é www.rodrigoalmeidadesign.com
Bate Papo Estiloso com Kika Aidar, da Norità

Kika Aidar
Em semana de SPFW, trazemos uma entrevista com Kika Aidar, uma estilista incrível, alegre, alto astral que leva às alturas do sucesso a Norità. Um Bate Papo para perder a noção do tempo…Enjoy!
CVSI: Kika, sabemos que você é estilista e consultora de moda e que suas criações são encantadoras, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é a Kika?
Kika: A Kika é uma mulher tão alegre e contagiante quanto suas inspirações. Uma pessoa de personalidade forte, focada, trabalhadora, amável, educada e falante! Nascida em 15 de agosto de 1978, do signo de leão, minhas principais características são de uma autêntica leonina: enérgica, calorosa, generosa, fiel e sincera.
Adoro festas, dançar, cantar, sair para jantar e principalmente viajar. São destas viagens que trago belos tecidos, étnicos e exclusivos para criar lindas peças para minhas clientes.

Kika em suas viagens...
Sou apaixonada pela Natureza, pelos animais e pelas flores, as cores fortes e vibrantes me encantam!
Considero-me bastante brava. Sou exigente, perfeccionista e muitas vezes gosto que as coisas saiam e sejam do meu jeito. Aprendi após estes sete anos trabalhando em equipe a escutar e a dividir as tarefas com as outras pessoas, nunca esperei ninguém para fazer algo que eu queria, eu simplesmente ia lá e fazia!

CVSI: Como, quando e onde a moda surgiu em sua vida?
Kika: Formada em Negócios da Moda na faculdade Anhembi Morumbi, vislumbrei a possibilidade de ter meu próprio negócio. Tudo começou com meus trabalhos de faculdade nos quais desenvolvi coleções, marca, logo, loja, enfim… uma empresa de moda. A partir daí, com peças que comecei a criar, customizar e desenvolver artesanalmente para vender em bazares organizados por mim mesma para minhas amigas, foi sendo construída a imagem do que é hoje a Norità. A Norità surgiu através da união de três grandes amigas, muito diferentes entre si, de personalidades fortes, que sempre tiveram um sonho em comum: desenvolver uma marca própria.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê a Norita em um futuro próximo?
Kika: Com a saída das sócias, Júlia em 2005 e Camila em 2007, a Norità é hoje o vôo solo de Kika que agora atende somente com hora marcada no seu novo Atelier em Pinheiros.
Ali, além de criar peças únicas, atendo também minhas clientes prestando consultoria de moda e estilo. Quero focar nas peças sob medida e exclusivas feitas especiais para cada cliente.
Vivenciando as dificuldades de algumas clientes dentro do meu Atelier durante estes sete anos, criei uma proposta de consultoria para ajudar a mulher a se sentir satisfeita consigo mesma e com seu próprio armário, adequando-se à todas as mudanças – tanto pessoais como profissionais - de cada uma.

O caminho que sigo para a Norità hoje é ter mais tempo para criar, sem horário para chegar e para sair, poder ter mais flexibilidade para viajar e mais qualidade de vida. Acredito que muitas das inspirações vêm nestes momentos e não sentada apenas na frente de um computador fazendo pesquisa e vendo o que os outros estão fazendo. Observar o trabalho de outros e pesquisar o mercado faz parte de todas as profissões, mas na moda precisa ter autenticidade além da criatividade para criar peças autênticas e diferenciadas.

CVSI: Seu estilo é bastante criativo, alegre e contagiante. Como você se inspira para criar?
Kika: A minha maior inspiração sempre foi o estilo único de ser da minha avó, Dona Norita, uma mulher autêntica e bastante ousada para a sua época. Nascida em 15 de junho de 1921 era uma mulher de origem libanesa, de personalidade forte e bastante particular. Viajou o mundo inteiro trazendo peças, artigos, jóias e roupas étnicas, chiques, únicas e as usava como ninguém. Uma pessoa livre que se vestia do jeito que queria. Livre para impressionar as pessoas ao seu redor com as suas combinações e modelos.
A Dona Norita faleceu em 2001 e muitas de suas roupas, jóias, bijuterias, sapatos e bolsas ficaram de “herança” para mim. Hoje estas peças fazem parte da história da Norità. São inspirações para criações e algumas ficam expostas no atelier, para que dessa forma não seja perdido o elo com essa figura tão importante para a marca.

CVSI: Você sente/acredita que a inspiração com autenticidade, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?
Kika: A sustentabilidade é o foco! Ser sustentável está na moda! Sem dúvida, no mundo e na moda também temos que trabalhar cada vez mais em cima da reciclagem. Precisamos reciclar tudo, reciclar matérias-primas é o primeiro passo… Separar o lixo e aproveitar o máximo das coisas que temos: papel, tecido, comida, água e energia. O aquecimento global é culpa única dos seres humanos. Deixar pelo menos uma vez por semana o carro em casa, tomar banhos rápidos, levar sua sacola na hora de fazer compras no supermercado. Fica aqui a dica também para reciclar as idéias, a educação e a generosidade de que o mundo precisa.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação?
Kika: Acho uma excelente idéia ter este portal para que possamos dividir um pouco do que somos e do que fazemos com os outros. Se inspirar é lindo e poder mostrar um pouco da inspiração de cada um é mais interessante ainda. Os bastidores de cada artista deste teatro que é a vida está na verdade das respostas em que temos a oportunidade de escrever e mostrar para cada um dos leitores deste site. Parabéns!
Obrigada Kika! Foi um enorme prazer! CVSI
Para conhecer mais sobre o trabalho da Kika, viste: www.norita.com.br
Um Bate Papo Daqueles com Loro Verz!!!
Em nossa viagem “de cada dia” pela net encontramos muita gente talentosa e conectada consigo, fazendo arte com o coração. Nosso Bate Papo de hoje é com Loro Verz…um artista que se inspira ao abrir a janela de seu apartamento, no centro de São Paulo e que expressa em sua arte a mesma honestidade de suas palavras…imperdível! Deite e role…como fizemos! Obrigada Loro!
CVSI: Loro, sabemos que você é cartunista, artista plástico e ilustrador e que já expôs seu trabalho em São Paulo e em Londres, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Loro?
Loro: (Longo Silêncio) Um cigarro na mão, ainda acredito que consigo parar de fumar. (pausa) Quem é o Loro? (Pausa mais longa ainda) Um artista multifacetado, ansioso, olhar de criança atento ao que acontece a sua volta, fluxo de pensamentos desenfreados na cabeça, a mesma cabeça que fica a maior parte do tempo nas nuvens mas o pé no chão, confuso, colecionador de experiências, contador de estórias (pausa para um trago no velho cigarro que um dia será deixado como um amor desperdiçado).

Amo viver do jeito que vivo. Rodei o mundo em busca do ”Loro”. Quem é o Loro? Eco. Quem é o Loro? (Silêncio) Isso importa? Sim, importa sim….ou não. Talvez? ”Talvez” é a resposta para tudo. Me procuro e fujo de mim mesmo todos os dias. (Pausa) Esqueça tudo o que disse antes. Loro nunca fala de si mesmo em terceira pessoa….contraditório. Está em todos os lugares e se perde fácil, mas logo lá está ele se encontrando com ele mesmo.
Amo amar. Me perco para me encontrar. Mudo a cada segundo, não sinto falta de nehum dos ”Loros” do passado…..mas sem melancolia. Sou o mais religioso dos ateus. Já conversei com Deus. Loro é a parede do aquário que segura a pressão da água para os peixinhos nadarem livremente. É podre. Fiel. Apaixonante. Leonino. Egocêntrico. Honesto. Tão honesto e simples que as vezes beira a ingenuidade. Vulgar siginfica realista?.
Ri de si mesmo e ri do mundo com os outros. (Pausa para pegar um cigarro entre as cinzas do cinzeiro – esqueci de comprar cigarro) Boa pergunta…quem somos nós. Só sabe quem não é….não é o que? Sei lá…acho que entendi. Mas quando penso ter tudo sob controle, (ter controle não é uma meta) lá estou eu pergunatndo para os infinitos “Loros” nos labirintos espelhados na minha cabeça oca… Quem é o Loro? ( hahahhahahahha) Não era pra rir….era pra chorar? Estou rindo agora…. Quem não riu? O Loro. Que Loro?

CVSI: Como, quando e onde surgiu a arte em sua vida?
Loro: 1996. Ano importante. Somando -se 1+ 9+9+6 = 25; 2+ 5 = 7. Meu número da sorte. O maldito TOC me inspira. 1996. Entrei em direito na PUC-SP. Fui à Londres para ficar apenas por 6 meses e aprender a falar a língua da maçã na boca (Inglês Britânico). Seis meses se passaram, arrumei um emprego em um bar, liguei para casa e disse que não voltaria.
De certa maneira nunca mais voltei. Me apaixonei por uma Croata e lá fiquei por 8 anos. Descobria o mundo. As possibilidades são infinitas. Senti amor pela primeira vez. Meu amor pela croata abriu caminho para a arte. Descobri através dela que não tinha nada a ver com direito ou advocacia. Disse que era um artista. Hmmmmmmm…. Logo me recordei que eu era o cara que desenhava caricaturas na escola lá no fundo da classe.

Quase fui expulso de várias escolas, mas era um ótimo aluno. Sempre gostei de estudar, pois sou apaixonado em descobrir coisas novas. Sim. Desenhava. Sempre desenhei, sempre flertei com humor. Que é uma ótima proteção. Entrei na faculdade Central Saint Martins School of Art & Design blá blá blá blá….títulos ou posições sociais, intelectuais, vampiros nunca me interessaram…terminei a faculdade.
Durante os estudos trabalhei como porteiro, faxineiro, barman, decorador, panfleteiro, garçom, peão, lavei pratos, (pausa, acabei de achar um cigarro no canto de um maço todo amassado – meus olhos estão brilhando, meu pulmão ofuscado) sim, trabalhei no Mc Donald´s, fui encandor e eletricista. Todas são profissões respeitadas, acho bacana hoje em dia ir á um restaurante saber como são as coisas do outro lado da mesa!

Temos que conhecer o outro lado da meia-noite… e não ter medo de ver que a luz no fim do tunel é uma miragem! Trabalhei em uma galeria de arte (tomava café o dia todo). Dormi em vários lugares. Rua, casa de amigos e já tive um apto. só meu! A croata não aguentou e me deixou, não sou lá o mais fácil dos seres, tenho meus caprichos. Fazia xixi na pia….oh!!, minha honestidade de novo!
Bebia com frequência. No meu último emprego, dormia em um sleeping bag em uma garagem. Eu era porteiro do prédio. Trabalhava para um milionário que era um estelionatário, eu copiava quadros de um catálogo para ele decorar os milhares de prédios que ele possuia. Bebi uma noite, caí no chão, quebrei a mão. Sem mão, sem namorada, sem emprego….voltei para SP ( amo essa cidade!).

Morava na casa da minha irmã. Minha independência foi para a privada. Não sabia o que fazer. Comecei a dar aulas de Inglês. Depressão. Bebia bastante. Aluguei uma casa. Deprê se foi. Minha independência voltou! Duro, a grana dava só pro aluguel, mas liberdade não tem preço. Um dia vi em um shopping center uma tenda da MTV. Queria voltar para Londres. A tenda era minha salvação. Em letras garrafais podia se ler de longe. ”Dance o Clipe e Ganhe uma Viagem à Londres” Meus olhos brilharam.
Sempre dancei ”estranho”, ou melhor, minha dança nunca foi compreendida, Sempre odiei limites, passinhos, gente dançando como a Madonna… essa era a solução. Ganhar a competição e ir á Londres. Chegando em Londres, o plano era me desvencilhar da equipe da MTV e dar no pé. Fiquei em segundo lugar na competição… perdi a viagem. Ficou o mico. Hahhahahhaha, foi engraçado. Bebia bastante e ficava falando com os objetos de casa.

Pegava um cigarro e um cinzeiro e criava diálogos entre eles. Aí, comecei a desenhar tiras sobre isso. Frustação me inspira. Enviei as tiras para a Folha de São Paulo, 3º concurso de humor e ilustração. Fiquei entre os 15 finalistas. Um ano depois, ainda dando aulas de inglês, meu telefone toca. Do outro lado da linha uma voz estranha.
Alô? Loro? – Sim? Olá! Sou editor de um novo jornal que vai entrar em circulação em SP se chama Publimetro. Trabalhei na Folha e gostei das suas tiras. quer colaborar com o jornal? Virei cartunista do Metro. Fazia tiras sobre objetos que falavam entre si. Comecei com o que tinha na mesa quando voltava bebado. Cigarro, cinzeiro, copo, garrafa… aí comecei inserir novos ”personagens” ( nunca tinha um pesronagem fixo, odeio a rotina. E um fato: rotina mata neurônios).

Fiz diálogos entre privadas e outras coisas do gênero…o jornal não gostou. Que caretice! Eles reestruturaram o jornal e saí de lá. Acordei no meio da noite e me imaginei com 60 anos, ainda dando aulas de inglês, com um carro do ano na garagem, pagando prestações e morando de aluguel. Pedi demissão. Produzia painéis de MDF para mim mesmo, sem um objetivo principal, por prazer.
Liguei para um grande amigo, dono do Bar B no centro de SP e pedi para deixar uma painel lá pois estava jogando tudo fora de casa e estava indo morar na rua para começar de novo. Morar na rua pois não queria trabalhar como professor de inglês. Ele topou, deixei o painel no bar, voltei pra casa, joguei meu microondas que comprei nas Casas Bahia, (salve Casas Bahia) um dos pouco que me deram crédito!

Alguns dias depois o dono do bar B, grande Marcelo, me ligou e disse que um cara tinha comprado o painel e queria me conhecer. Ele é o dono do Maxhaus, outro grande amigo, Paim. Contei minha estória e ele me contratou como artista exclusivo dos empreendimentos imobiliários Maxhaus. Desde então muitas portas foram abertas, foquei na minha arte e já fiz trabalhos para a Puma, Shultz, ilustrações para New Balance, arte para arquitetos, exposições em Nova York, fui á londres pintar um Pub e muita coisa bacana.

Isso alavancou a carreira. Quando trabalhava de panfleteiro na rua, lá por 1999, conheci um artista que estudava na careta, tradicional e acadêmica Royal College of Art, mas ele tinha um diferencial, fazia grafite! Ele me ensinou a técnicas e grafitamos juntos. Isso me deu a ideia de dar aulas de grafite na Escola São Paulo. NÃO SOU GRAFITEIRO! Venho do também careta e tradicional acadêmico.
Fazia retratos à óleo…foi legal aprender a observar as coisas como elas realmente são para distorcê-las depois. Posso dizer que a arte me salvou! Toda minha trajetória até hoje estava apontando para um único caminho…a arte! Faço tudo que faço de coração. Não quero agradar ninguém. Não quero tapinhas nas costas. Não quero descobrir uma fórmula e me copiar! Já está mais que na hora de fazer uma arte diferente, sinto que logo mais mudo o caminho! Caramba, vou parar aqui. Escrevi uma bíblia…..
CVSI: Fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?
Loro: Meu projeto é ter meu própio espaço. Um galpão. No andar de baixo uma oficina e uma ”mini galeria” com meus trabalhos. No andar de cima eu moro. Mas não quero uma gota de tinta no piso superior! Acho legal separar o lugar de trabalho e o lugar para viver. Estou cansado de dormir entre meus painéis. Moro em um apto. no centro (me mudei para a boca do lixo para influenciar o trabalho, e já influenciou. Os letreiros das casas noturnas, as saias coloridas dos travestis me inspiram. O trabalho está mais colorido e com mais comentários).

Meu plano é não deixar ninguém explorar o que faço! Tem tanto artista fantástico sendo explorado. Isso é uma merda. Não tenho agente. Corro atrás das coisas como sempre fiz. Amo ser independente, ninguém precisa de um sanguessuga ao lado. Tenho muito que explorar o que faço. Quero retornar ao careta e tradicional acadêmico, ver no que dá! Preciso urgentemente experimentar mais!
CVSI: Loro, suas criações são cheias de personalidade e muito divertidas. Como você se inspira para criá-las?
Loro: O meio influencia meu trabalho. Me mudei para o centro de SP atrás de inspiração. Como disse acima, moro na boca do lixo. Isso em inspira. Coloco toda aquela energia maluca do centrão nos painéis que faço. Como me inspiro para criá-los hoje? Abro a janela do meu apto. E olho para a rua por uns 15 minutos. Milhões de ideias são geradas na cabeça.
CVSI: Você sente/acredita que a inspiração, a criatividade, a inovação são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?
Loro: Criatividade é tudo! Desde bombril na antena da TV até a criar maneiras criativas para pagar as contas! Hahhahahhaha. Ser criativo é essencial hoje em dia, mas a grande maioria ainda prefere que os outros pensem por eles. Isso é triste, mas bem real!
CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do nosso blog de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade, estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por conseqüência, o enriquecimento de nossa existência?
Loro: Acho muito legal a proposta do site. Mostra os bastidores do artista. As portas do fundo são sempre as mais verdadeiras e interessantes. É interessante conhecer a estória de alguém. Assim podemos fazer o que viemos fazer aqui….trocar informações e tomar cerveja com os amigos!
Para descobrir mais sobre o trabalho incrível do Loro, clique aqui.
Um 2010 perfeito para todos nós! E para começar este ano que promete ser muito especial, convidamos um artista - também muito especial - que não só cria e produz uma arte deslumbrante, mas a faz transformado sucata em beleza pura. Sejam bem vindos a este primeiro Bate Papo Inspirado de 2010 e muita luz!
CVSI: Paulo, sabemos que você é um artesão-designer que trabalhou como oficineiro de reciclagem de papel e fibras naturais e hoje tem seu atelier onde transforma sucata em objetos de arte e decoração inovadores, mas conte um pouco mais sobre você. Quem é o Paulo?
Paulo: Difícil responder, já que venho me conhecendo a cada dia, mas vou tentar. Gêmeos com ascendente em gêmeos e lua em touro, filho de militar (isso fez com que eu conhecesse muitos lugares e diferentes culturas e costumes). Desde criança fui um pouco “cientista maluco” adorava brinquedos que envolviam química ou eletricidade. Hiperativo, com uns 10 anos já “reformava” meus brinquedos à pilha, relógios e o que viesse pela frente, deixando meus pais loucos. Uma de minhas paixões é o “domínio de materiais” e no percurso desses 46 anos aprendi desde o papel até a fundição de metais, passando por polímeros (plásticos e acrílicos), vidros e lapidação. Dediquei uma boa parte de minha vida a “Educação Social” onde me valia desse conhecimento promovendo oficinas de papel artesanal, cartonagem e encadernação para adolescentes em vários projetos sociais.
Acredito que em trabalhos dessa natureza é muito mais importante absorver a cultura e costumes da clientela do que chegar ditando regras que lhe são absolutamente estranhas. Mas paralelamente a tudo sempre estava envolvido com decoração de ambientes desenho, pintura e escultura, eram meu hobby.

CVSI: Como, quando e onde surgiu a marca Paulo Toledo? O que se passava em sua vida naquele momento?
Paulo: Me sentia “nadando contra a corrente” em projetos sociais atrelados ao poder público que, inevitavelmente, acabam se tornando apenas ferramentas político eleitoreiras. Um dia resolvi dar um basta. Inverti a situação, transformei meu hobby em profissão e agora, como voluntário, transformei também minha profissão em hobby. Vivemos em um mundo de possibilidades e penso ser importante estarmos atentos às chances de mudanças.
Logo que comecei o trabalho, (isso faz apenas 3 anos) não tinha muita noção do que faria, mas já recuperava peças encontradas em desmanches e demolições e vendia em uma famosa loja de decoração em São Paulo. Comecei então a criar algumas peças e colocá-las nas lojas, foi então que percebi que poderia haver mercado para elas.
Como trabalho sozinho, resolvi usar meu próprio nome, já que as duas coisas acabam se misturando mesmo (a criação e o criador), mas penso sempre em criar uma outra marca onde possa estar envolvendo mais gente no trabalho.

CVSI: Por favor, fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê os produtos Paulo Toledo em um futuro próximo?
Paulo: Não imaginava me tornar um designer, sou um artesão que de repente começou a ser citado na mídia como designer, talvez devido às características contemporâneas de meu trabalho. No momento estou desenvolvendo uma nova coleção, que mantem as características básicas do trabalho (fotos), mas agregando cores e texturas.
Quando resolvi trabalhar com ferro, fiz antes uma longa pesquisa sobe o que havia disponível no mercado, examinando tendências e, principalmente, tendo a preocupação de nunca fazer nada parecido com o que já existia. Portanto, minha pretensão com esse trabalho é realmente desafiar esse ciclo produtivo absolutamente insustentável em que a humanidade se enfiou, chacoalhar os conceitos (quase todos que vão a uma exposição minha dizem:_ “vai ser impossível ver os restos de ferro e madeira com os mesmos olhos depois de hoje”).
É para isso que faço meu trabalho, a venda é só uma consequência. Acredito que há tanta ousadia na execução do meu trabalho quanto há ousadia em quem o adquire. Procuro ser quase didático, com peças que não escondem as origens da matéria prima. É isso, vejo meu trabalho como uma mistura de arte e didática, como se o educador continuasse gritando em mim.

CVSI: Você exala criatividade e poder de transformação em seus produtos e criações. Como você se inspira para criá-los?
Paulo: O importante é não ter um conceito fechado sobre nada , muitas vezes faço uma peça extremamente trabalhosa e no final ela não me emociona, então eu a reciclo. Em outras quase não há trabalho, mas quando olho, ela me diz: “estou pronta”. Há uma relação profunda entre eu, o material e a forma no momento da criação, uma relação de amor com o objeto, penso que é essa a essência de minha inspiração: paixão.

CVSI: Fale um pouco do processo de reciclagem/transformação e seus benefícios. Qual sua opinião sobre o assunto?
Paulo: O que faço não é propriamente reciclagem e sim reaproveitamento. Há uma grande confusão na cabeça das pessoas sobre o assunto hoje em dia (se pensarmos em termos planetários). Reciclar é devolver o material ao seu ciclo inicial.
Tudo que é extraído da terra deveria ter um ciclo contínuo sobre ela para evitar mais exploração, uma garrafa pet deve voltar a ser outra garrafa pet, tudo que desvia o material de seu ciclo pode ser até politicamente correto, mas dependendo do material pode ser perigoso.
O ferro é um dos minerais mais abundantes no planeta, não sendo impactante o seu reaproveitamento, já com o alumínio por exemplo, não consigo ver sentido em transformar 1000 latinhas em um objeto de decoração e forçar a exploração de mais bauxita para a produção de mais alumínio, cujo processo é sabidamente prejudicial ao meio ambiente, além de consumir muita energia elétrica. Cada material tem que ser visto de forma diferente, levando-se em conta sua raridade, custo de produção e exploração, danos ambientais, etc…

CVSI: Você sente/acredita que a criatividade, a imaginação, a inovação – inclusive aplicados à reciclagem e transformação – são hoje atributos essenciais para que o mundo saia do lugar comum e continue a se desenvolver de maneira sustentável?
Paulo: Criar é reinventar o mundo. Sem criação estaríamos nas cavernas ainda, aliás, foi um ser criativo que entendeu que numa caverna seria mais seguro para se viver, não? A base evolutiva do ser humano é a criação e a arte é quem dá sempre os primeiros sinais de qualquer mudança do comportamento humano.
A reciclagem é uma tendência cultural. Há um ditado popular que diz que tem gente não sai do lugar enquanto a água não bate na bunda né? Rsrs… Por enquanto a água ainda está nos pés e só os mais visionários estão se manifestando, mas já há um início de revolução nisso. Difícil nosso sistema econômico assimilar mudança tão radical a curto prazo, mas a tendência é valorizar cada vez mais o que já está sobre o planeta.

CVSI: Qual sua opinião sobre a proposta do Como Você se Inspira de ser um espaço que promove a conexão do indivíduo com sua verdade estimulando assim a inspiração, a criatividade e a inovação e, por consequência, o enriquecimento de nossa existência?
Paulo: Primeiramente gostaria de agradecer a oportunidade de mostrar meu trabalho e falar um pouco sobre o que penso. Acho a iniciativa de vocês maravilhosa, conhecer um pouco mais sobre o processo de criação de vários artistas, cada um com sua peculiaridade só faz fomentar a criatividade e sua aplicação da vida cotidiana. Grato.

Para saber mais sobre o trabalho do Paulo, clique aqui.
Paulo, obrigada pelo lindo Bate Papo! Feliz 2010!